Policiais usaram DP em Campinas como cativeiro

Três policiais e um ex-investigador são acusados de sequestrar e achacar ladrões de caixas eletrônicos

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

08 de abril de 2009 | 00h00

Uma investigação feita pela Corregedoria da Polícia Civil levou ontem à decretação da prisão preventiva de três policiais e um ex-investigador acusados de sequestrar e achacar ladrões de caixas eletrônicos em Campinas. Dois dos acusados foram presos ontem e dois estão foragidos. Eles foram denunciados pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O juiz Nelson Bernardes, da 3ª Vara Criminal, determinou a abertura do processo.Esta é a segunda operação da Corregedoria no Estado desde a posse do novo secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, que prometeu um "combate implacável à corrupção". A descoberta de que os ladrões eram vítimas dos policiais ocorreu durante investigação da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas sobre os ataques a caixas eletrônicos na região.Interceptações telefônicas mostraram que colegas dos policiais da DIG estavam telefonando para os ladrões exigindo pagamento do resgate. Os policiais teriam sequestrado os ladrões.Em um dos casos, o cativeiro foi na própria delegacia em que os acusados trabalhavam: o 4º Distrito Policial de Campinas. Com base nas gravações, a 2ª Corregedoria Auxiliar (Campinas) foi avisada e entrou no caso. "Concluímos a apuração criminal e vamos começar a administrativa, que pode levar à demissão dos policiais", disse o delegado Roveraldo Bataglini.Segundo promotores do Gaeco de Campinas - em 18 meses, eles denunciaram 50 policiais da região -, o primeiro caso de achaque apurado teve como vítima Gregory Luan. Ele foi detido em dezembro de 2008 pelos investigadores Acrísio Lunardelo de Souza e Gustavo Tozo e levado ao 4º DP - Tozo foi expulso da polícia em fevereiro e condenado a 13 anos de prisão por causa de outros achaques. Os policiais queriam R$ 100 mil de resgate, mas aceitaram soltar Luan por R$ 4 mil e uma moto.Investigando esse caso, os corregedores descobriram outra extorsão. Os acusados nesse caso eram os investigadores Jackson Ferreira de Siqueira e Sandro Giovani de Oliveira, que trabalhavam na DIG. Eles teriam sequestrado outro acusado de pertencer ao grupo de ladrões de caixas eletrônicos - Lucas Furlan - e exigido R$ 200 mil para não mantê-lo preso.Os policiais aceitaram reduzir o resgate para R$ 10 mil. Também receberam uma picape Montana e soltaram Furlan. Ouvidos pela Corregedoria, Furlan e Luan confirmaram os achaques. Os policiais Siqueira e Oliveira foram presos. O ex-investigador Tozo e o investigador Souza estão foragidos.Anteontem, quatro policiais militares foram detidos em Sumaré, sob suspeita de participar de furtos a caixas eletrônicos.FRASERoveraldo BatagliniDiretor da 2ª Corregedoria auxiliar, em Campinas"Concluímos a apuração criminal e vamos começar a administrativa, que pode levar à demissão dos policiais"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.