Policial acusa 20 colegas de receber propinas

Pena disse que ex-secretário adjunto da Segurança recebeu dinheiro, mas Malheiros Neto nega; Corregedoria decide apurar o caso

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

11 Fevereiro 2009 | 00h00

O investigador Augusto Pena acusou 20 policiais civis de corrupção em seu depoimento aos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em Guarulhos. Preso desde maio de 2008 sob a acusação de achacar lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), o policial resolveu depor em troca de possível delação premiada, o que reduziria sua pena. O policial contou que era o responsável por distribuir o dinheiro arrecadado pelo esquema criminoso e disse que foi ameaçado no dia 11 de janeiro no Presídio Especial da Polícia Civil por um delegado de classe especial - o investigador registrou o BO 25/09 na Corregedoria da Polícia Civil em 19 de janeiro. O delegado teria tentado comprar seu silêncio para que ele não contasse o que sabia. Ontem, o Estado revelou que Pena acusou o ex-secretário adjunto da Segurança Pública Lauro Malheiros Neto de receber propina dentro de seu gabinete na secretaria, da Rua Líbero Badaró, 39, no centro de São Paulo. O dinheiro serviu para que fosse anulado o processo administrativo que levou à expulsão de três policiais civis do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Eles haviam sido demitido sob a acusação de corrupção em 2006. Pena afirmou que o acerto final ficou em R$ 300 mil. Metade seria paga antes e a outra depois da publicação no Diário Oficial. O investigador contou que ele entregou a propina nas mãos de Malheiros Neto. A defesa do ex-secretário informou que as declarações de Pena são levianas e que ele terá de provar o que o diz. Homem de confiança do secretário Ronaldo Marzagão, Malheiros Neto deixou a secretaria em maio de 2008, depois da prisão de Pena. O adjunto era acusado de interceder a favor do policial - então afastado das funções sob a suspeita de participar de extorsão - para que ele fosse trabalhar no Deic. Malheiros Neto nega a interferência. Ontem, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil abriu investigação para apurar as denúncias feitas pelo investigador contra os policiais e a suposta venda de sentença em processos administrativos para beneficiar policiais suspeitos. Para tanto, o diretor da Corregedoria, delegado Alberto Angerami, enviou ontem ao Gaeco um ofício pedindo cópia do depoimento de Pena. Caso seja comprovado algum favorecimento a policial corrupto, a decisão administrativa pode ser revista. Entre os policiais acusados por Pena estão delegados e investigadores. Muitos deles trabalharam no Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro). O investigador ainda se comprometeu a entregar provas aos promotores de suas denúncias. Ele confessou ter participado do caso da extorsão mediante sequestro do estudante Rodrigo Olivatto de Morais, de 29 anos, enteado do líder máximo do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ocorrida em 2006. O investigador negou que ele tivesse sido sequestrado, mas confirmou a existência do achaque contra o enteado.

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