Policial acusado de chefiar milícia é assassinado no Rio

Assessor do gabinete da Polícia Civil até janeiro deste ano e condecorado pela Câmara Municipal e pela corporação, em 2005 e em 2006, respectivamente, o policial Félix dos Santos Tostes foi morto nesta quinta-feira com cerca de 30 tiros. Ele era acusado de chefiar uma milícia na Favela Rio das Pedras, na Barra da Tijuca, zona oeste. De acordo com a polícia, ele foi morto por quatro homens em um Astra preto, na Rua Senador Rui Carneiro, no Recreio dos Bandeirantes, também na zona oeste. Ele tinha acabado de sair de um prédio residencial nesta rua, onde visitara uma pessoa cujo nome não foi divulgado. Policiais disseram que, ao ver o corpo do marido, a viúva de Tostes gritou o nome de um homem a quem acusou. O corpo de Tostes foi encontrado nesta quinta-feira. Ele estava dentro da picape Hilux placa KZW 8846. No local, policiais recolheram cápsulas de munição para fuzil e para pistola. Atingida por uma bala perdida, uma mulher que passava pelo lugar foi internada no Hospital Lourenço Jorge. Tostes tinha 49 anos e era policial havia 18. O caso foi registrado na 16.ª Delegacia Policial (Barra da Tijuca). Afastado da Polícia Civil Nomeado assessor pelo ex-chefe de Polícia Civil Ricardo Hallack, Tostes foi afastado do cargo e transferido para o Setor de Pessoal em Situação Diversa (SPSD) em 30 de janeiro. Além das acusações relacionadas às milícias, grupos paramilitares ilegais que disputam o controle de favelas com quadrilhas de traficantes de drogas, Tostes não comparecia ao trabalho havia 30 dias. Isso levou o atual chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, a determinar que a corregedoria da corporação o investigasse por abandono de emprego. Alvo de denúncias anônimas, Tostes respondia a dois inquéritos: um na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e o outro na Corregedoria da Polícia Civil, onde havia também uma sindicância. Em depoimentos relacionados aos inquéritos que o investigavam, Tostes sempre negou sua participação nas milícias. Em março de 2005, ele recebeu a Medalha Pedro Ernesto, mais importante comenda da Câmara Municipal, por iniciativa do vereador Nadinho de Rio das Pedras. Em setembro de 2006, foi condecorado com a Medalha de Honra, Fidelidade e Devotamento da Polícia Civil, dedicada a policiais que se destacam em serviço.

Agencia Estado,

22 Fevereiro 2007 | 21h24

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