Policial civil erra tiro e mata mãe com bebê no colo em SP

Agentes alegaram que tentavam abordar motoqueiro; os dois estão presos na Corregedoria

Daniela do Canto e Leandro Calixto, O Estadao de S.Paulo

23 Julho 2009 | 00h00

Uma mulher de 30 anos morreu e o filho, de 1 ano e 10 meses, ficou ferido com um tiro disparado por um policial civil. A ação ocorreu na noite da terça-feira, quando dois investigadores tentavam abordar um motoqueiro suspeito que trafegava por uma rua do Jardim Eledy, região do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. Foi o terceiro caso semelhante em duas semanas em São Paulo (leia mais ao lado). Segundo testemunhas, dois investigadores estavam de campana em uma viatura descaracterizada - um Santana azul - na frente do Mercadinho Rynampa. Eles deram sinal de parada a um motoqueiro que passava pela rua. O motociclista, por sua vez, teria ignorado os policiais e um deles disparou um tiro, que acertou a perna do bebê e o coração de Edinalva. A vítima passava pela rua onde ocorreu o crime, carregando o filho no colo. As vítimas foram atingidas na frente da Creche Pré-Escola Jardim Eledy, a cerca de 25 metros de onde estavam os policiais. Mãe e filho ainda foram levados ao Pronto-Socorro do Hospital do Campo Limpo. A mulher morreu pouco depois de ser baleada. Já a criança passou por uma cirurgia e está fora de perigo. A vítima foi enterrada ontem, em um cemitério da zona sul da cidade. A Corregedoria da Polícia Civil informou que os policiais Alex Sander, de 35 anos, e Alfred Staps, de 45, estão presos desde ontem, na sede da Corregedoria, na Rua da Consolação, na região central. Os dois alegaram que só estavam nesta região porque realizavam uma investigação, envolvendo um motoqueiro suspeito. A Polícia Civil não informou, no entanto, que tipo de trabalho os policiais faziam nessa região. A versão dos policiais foi praticamente a mesma apresentada pelas testemunhas. Num primeiro momento, os policiais disseram que tentaram abordar o motoqueiro suspeito. Como o homem teria ignorado o pedido, um dos agentes procurou parar o suspeito com um tiro. ESCLARECIMENTOS Os policiais socorreram as duas vítimas e as encaminharam até o pronto-socorro da região. Em seguida, eles foram prestar esclarecimentos no 47º Distrito Policial. Ao fim do boletim de ocorrência, os dois foram levados por PMs para a sede da Corregedoria da Polícia Civil. Agora, vão responder a um processo administrativo e ficarão de fora das funções até o fim das investigações. Já o motoqueiro apontado como pivô dos disparos não havia sido preso até o fim da noite de ontem. CASOS RECENTES 8 de julho: Uma menina de 8 anos levou um tiro no tórax em um suposto tiroteio entre criminosos e dois PMs da Rocam na Favela de Heliópolis, na zona sul. Os policiais perseguiam dois homens em uma motocicleta na Estrada das Lágrimas. Segundo a PM, o garupa atirou, obrigando um dos policiais a reagir. Moradores, no entanto, negam que tenha havido um tiroteio 12 de julho: Uma bebê de 8 meses e uma adolescente de 16 anos foram vítimas de balas perdidas em uma ação da PM na Favela de Paraisópolis, também na zona sul. A PM afirma que entrou em confronto com três suspeitos de roubar um Volkswagen Fox e houve troca de tiros. Moradores negam o tiroteio e alegam que um policial atirou após um dos rapazes fugir da abordagem policial

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