Policial condenado foge de carceragem fazendo rapel

A fuga do policial paulista Francisco Marcondes Romeiro Neto, de 30 anos, da carceragem especial do Ponto Zero, na madrugada de segunda-feira, será investigada pela Polícia Federal. Ontem, oprocurador federal José Augusto Vagos solicitou ao superintendente da PF do Rio, delegado Marcelo Itagiba, que abra inquérito para apurar o caso. ?O preso estava sob a custódia de uma vara federal e entendemos que seria um crime federal?, disse o procurador.Agente da Polícia Civil de São Paulo há 12 anos e lotado no Departamento de Narcóticos (Denarc), Romeiro fugiu quatro dias depois de ter sido sentenciado a nove anos e seis meses de prisão por tráfico internacional de drogas e formação de quadrilha pela 6.ª Vara Federal Criminal do Rio. Outro agente da Denarc, Flávio Simões Júnior, condenado a pena igual à de Romeiro no mesmo processo, continua preso.Apesar de ser uma carceragem, o prédio ? onde ficam detidos policiais e pessoas que têm curso superior ? não tem grades. Em vez de celas, os presos ficam em alojamentos com janelas. ?Há 30 anos é assim. O chefe de polícia determinou urgência na colocação das grades, mas tem que ter licitação, não pode ser de uma hora para a outra. Principalmente com as dificuldades financeiras do Estado?, explicou o delegado Luiz AntônioBuzinaro, que há dois meses chefia a Polinter, responsável pelacarceragem. Romeiro foi preso por agentes federais em maio, no AeroportoInternacional Tom Jobim, quando tentava embarcar no vôo 441 da Air France, acompanhado pela gaúcha Cristine Mousquer Ardnt, de 28 anos, com destino a Amsterdã. Ela tinha pouco mais de um quilo de cocaína nas botas. Segundo a PF, a droga seria trocada por ecstasy na Holanda. Como Cristine colaborou com a Justiça, o promotor pediu sua absolvição e hoje ela, uma irmã e uma amiga estão incluídas no Programa de Proteção às Testemunhas.Buzinaro acredita que Romeiro tenha recebido ajuda externa para fugir do Ponto Zero. De acordo com o delegado, ele escapou por uma janela com o auxílio de uma corda para rapel, alcançando o pátio do 22.º Batalhão da PM (Benfica). Depois de cruzar o pátio do estacionamento do batalhão, pulou um muro de três metros de altura e fugiu por uma favela. ?Alguém pode ter auxiliado do lado de fora. Dentro da favela, se não tiver ajuda, ele está perdido?, disse. Segundo Buzinaro, há 65 pessoas presas hoje no Ponto Zero (30 são policiais), que tem cerca de 70 pequenos quartos. Para o delegado não há como reforçar a segurança da carceragem. ?Não tem condições. Só se colocar uma pessoa em cada janela.?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.