Policial é acusado de usar viatura para transportar droga

Há filmagens que indicam participação de Osmar Sebastião em quadrilha; ele está preso

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

10 Agosto 2009 | 00h00

O policial civil Osmar Sebastião Rocha dos Santos, preso no mês passado pela Operação Crime S.A., do Ministério Público Estadual (MPE), é acusado de usar uma viatura da corporação para transportar droga. A principal prova do suposto envolvimento dele com a quadrilha que agia no Vale do Paraíba, no interior do Estado, é um conjunto de três vídeos produzidos por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) entre maio e junho. Numa das filmagens, Vânia Teixeira da Silva, apontada como a gerente do bando, foi flagrada carregando um malote marrom para dentro da viatura. O Gaeco afirmar que a bagagem estava recheada de entorpecente. Os promotores só não deram voz de prisão à dupla naquele dia pois estavam acompanhados de apenas dois agentes de promotoria. Além disso, queriam descobrir se outros policiais dariam cobertura ao esquema, o que não foi constatado. "É muito triste que um cidadão pago pelos cofres públicos para combater o crime seja flagrado usando o patrimônio do Estado para fazer o inverso", assinalou a promotora Sandra Rodrigues de Oliveira, do Gaeco. O advogado Luiz Antônio Lourenço da Silva, defensor de Osmar, nega que seu cliente tenha cometido qualquer crime. "Ainda não tivemos acesso à mídia, mas asseguro que o Osmar não dirigia aquele carro. Ele não se envolveria com traficantes depois de 33 anos de polícia", afirmou. "O que os promotores têm é um arremedo de prova." TESTEMUNHA As acusações do MPE contra o investigador chefe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São José dos Campos estão alicerçadas em três pontos: nas filmagens, em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e no depoimento de uma testemunha, que não só o reconheceu como motorista da viatura como deu detalhes sobre a logística de transporte da droga. Ao ser ouvida pelos promotores, Vânia negou envolvimento com o tráfico, afirmando que o conteúdo do malote era lingerie, o que também foi contestado pela testemunha. "Conheço a Vânia há muitos anos e ela nunca vendeu lingerie na vida." A investigação que levou 13 pessoas para a cadeia e desmantelou duas quadrilhas especializados no tráfico de drogas - uma com atuação no Vale do Paraíba e outra na região de Campinas - começou há dois meses, após denúncia anônima. O personagem principal da carta endereçada ao Gaeco era o traficante Walter Teixeira da Silva, o Preá, condenado há 80 anos de prisão. De dentro da Penitenciária de Avaré, no interior do Estado, ele controlaria pontos de venda de droga em cidades do Vale do Paraíba, sempre com a ajuda da irmã Vânia. Segundo o MPE, o entorpecente que abastecia o bando de Preá era fornecido pela advogada Marta Pugliese Rocha dos Santos, ex-mulher do investigador chefe da DIG de São José. Na sexta-feira, o MPE ofereceu denúncia (acusação formal à Justiça) contra 15 integrantes das duas quadrilhas. O policial civil deverá responder pelos crimes de tráfico de droga e associação para o tráfico. O Gaeco também requereu a quebra do sigilo bancário e o bloqueio de uma conta corrente mantida por Vânia, além do perdimento de bens apreendidos em poder dos acusados - uma Parati, um Meriva e um Ford Ka. Os promotores pedem ainda que os veículos sejam disponibilizados para as Polícias Federal e Civil, a fim de que sejam usados no combate ao tráfico. A Corregedoria da Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso. Se a participação do policial ficar comprovada, ele pode ser expulso da corporação.

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