Policial é denunciado por desviar carga no Deic

Investigador Augusto Pena está preso desde maio, acusado de se apropriar de videogames

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

03 de dezembro de 2008 | 00h00

O investigador Augusto Pena foi denunciado pelo Ministério Público Estadual sob a acusação de ter se apropriado de uma carga de videogames que estava dentro do depósito do Departamento de Investigação sobre o Crime Organizado (Deic). Pena está preso desde maio com base em investigações do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Guarulhos sobre os achaques a lideranças do Primeiro Comando da capital (PCC). Sua detenção provocou uma crise na Segurança Pública, conforme antecipou o Estado na ocasião, levando ao pedido de demissão do então secretário-adjunto, Lauro Malheiros Neto, suspeito de ter intercedido a favor do policial apesar da suspeita de corrupção que havia contra Pena.A denúncia contra Pena foi feita pela promotora Patrícia Cosentino Ferrer, da 4ª Promotoria de Justiça. A carga de PlayStation que Pena é acusado de se apropriar havia sido apreendida pela delegacia em que o investigador trabalhava: a 1ª Delegacia de Investigações Gerais. O sumiço da mercadoria foi investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.Uma testemunha disse aos corregedores que Pena havia feito uma cópia da chave do depósito do Deic, na Avenida São João, perto do Largo do Arouche, no centro. Pena teria entrado no lugar de noite e colocado o material apreendido em uma picape. Tudo teria sido levado em várias viagens para o apartamento de sua ex-mulher, Regina Lemes de Carvalho, em Moema, na zona sul de São Paulo.Regina, que disputa a guarda do filho do casal com Pena, contou que o material foi vendido pelo investigador por R$ 100 mil. Ela entregou ao Gaeco 200 CDs com escutas telefônicas feitas pelo investigador. Foi com base nesses CDs que os promotores encontraram as provas de que o policial seqüestrara o estudante Rodrigo Olivatto, enteado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC. O estudante ficou em cativeiro dentro da delegacia de Suzano até o resgate de R$ 300 mil fosse pago.Pena teve a prisão preventiva decretada por causa do seqüestro. Ele foi acusado ainda de achacar R$ 40 mil de um traficante para permitir a sua fuga. Como o policial não teria cumprido o trato, o traficante mandou que a delegacia de Suzano fosse atacada. A guerra que se seguiu deixou quatro bandidos e dois policiais mortos. No caso do furto da carga de PlayStation, a promotoria também deve pedir a prisão preventiva do policial.A acusação contra Pena é de peculato, por ele ter subtraído a carga apreendida. A promotoria considerou que, no inquérito da corregedoria, havia provas suficientes não só para denunciar o investigador, mas até para condená-lo. A defesa do policial alega inocência. Pena sempre disse ser vítima de uma armação feita por policiais corruptos que ele mesmo investigou e de uma vingança de sua ex-mulher.

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