Policial é indiciado por vazamento da Operação Têmis

O policial civil Celso Pereira de Almeida foi indiciado na quarta-feira no início da noite, após mais de quatro horas de depoimento na Superintendência da Polícia Federal, por participar do vazamento de informações que prejudicaram as buscas e apreensões da Operação Têmis. Alertados sobre as escutas, os suspeitos teriam conseguido ocultar e destruir provas que poderiam incriminá-los. Segundo fontes da PF, Xuxinha, como Almeida é conhecido, ?capitulou? diante dos federais e se dispôs a colaborar em troca da delação premiada. Ele confirmou ter feito o papel de ponte com Washington Alves Rodrigues Gonçalves, funcionário da Telefônica responsável por viabilizar as escutas autorizadas judicialmente. Pedira a Gonçalves a lista dos nomes rastreados nas escutas e as repassou, provavelmente a outro policial civil, que avisou os investigados. O advogado de Xuxinha, Diego Luiz Berbare Bandeira, negou o indiciamento e disse não poder revelar se seu cliente admitira participação no vazamento. ?O processo corre em segredo de Justiça, tem informações que eu não posso vazar para ninguém e o que eu pude falar eu falei.? Na porta da PF, Bandeira confirmou que Xuxinha conhecia Washington ?porque ele trabalha no setor de investigação do Deic e, quando tem uma investigação e precisa de uma gravação de linha telefônica, esse é o contato mais fácil?. Disse ainda que ?ele conhecia o procurador (da Fazenda Nacional, Sérgio Gomes) Ayala, que era delegado (da Polícia Civil) e o Sidão, o Sidney (Ribeiro), para quem ele prestava serviço, fazia a segurança dele.? Ayala e Ribeiro foram investigados pela PF e sofreram busca e apreensão na Operação Têmis. O empresário foi ouvido na terça-feira pela PF e também foi indiciado. ?Conhecer alguém não é crime?, justificou o advogado, quando questionado sobre os contatos de seu cliente com os investigados. ?Ele me disse: ?Doutor, eu conheço algumas dessas pessoas, assim como eu conheço também bandido, doutor. Porque a gente vive dentro da polícia, por isso a gente conhece bandido, não tem jeito??, relatou Bandeira, que protestou contra a divulgação de imagens da sala onde está sendo feita a análise dos documentos apreendidos. ?Acho um absurdo que a imprensa entre e fotografe um monte de documentos, quando eu ainda não tive contato com os autos do inquérito, nem sei do que acusam o meu cliente.? Xuxinha saiu visivelmente abalado da PF e se limitou a negar que tivesse sido indiciado. ?De corredor? Pela manhã e no início da tarde, outro policial civil, que Xuxinha afirmara ?conhecer de corredor?, também depôs para o inquérito que apura o vazamento na Têmis. João Avelares Ferreira Varandas falou por três horas, negou participação na quebra do sigilo telefônico e admitiu apenas ?conhecer um ou outro? investigado. Após a oitiva, foi lacônico com a imprensa. Negou-se a confirmar seu nome e, após retirar seu carro de um estacionamento privado, fez um apelo aos cinegrafistas. ?Por favor, só não mostrem a placa do meu carro, sou polícia.? Segundo a PF, Varandas não foi indiciado mas pode ser chamado para prestar mais esclarecimentos. Hoje devem ser ouvidos o funcionário da Telefônica - já afastado e alvo de sindicância interna da empresa - e o policial civil José Luís Costa Alvarez. Eles também estão sendo investigados pelo vazamento e, como foram intimados, podem responder por crime de desobediência se não comparecerem.

Agencia Estado,

26 Abril 2007 | 11h02

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