Policial é morto em helicóptero sobre favela

Eduardo Matos, de 35, participara de operação no Rio na qual rapaz [br]foi alvo de saraivada de tiros disparados do Águia da Polícia Civil

Pedro Dantas e Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Um policial civil foi atingido por um tiro na cabeça a bordo do helicóptero Águia, da Polícia Civil, durante ação contra traficantes no Morro do Adeus, em Ramos, na zona oeste do Rio, no fim da tarde de ontem. Eduardo Matos, de 35 anos, também estava no helicóptero da polícia na operação realizada na Favela da Coréia, na zona oeste, que causou polêmica depois de imagens de emissoras de televisão mostrarem uma seqüência em que dois homens sem camisa fogem dos tiros do helicóptero pela mata. Na operação de ontem, além de Matos, morreram três homens acusados de serem traficantes - uma dona de casa foi ferida por um tiro. A polícia foi ao local para socorrer um oficial de Justiça que estava num dos acessos ao morro para cumprir dois mandados de busca e apreensão de carros. O tiroteio foi intenso com a chegada do reforço policial: as escolas suspenderam as aulas e parte do comércio fechou as portas. Moradores e pedestres se apavoraram. Motoristas assustados que passavam pela Rua Uranus, às margens do morro, voltaram de marcha-a-ré. No fim da operação, 12 pessoas foram detidas para averigação e houve apreensão no local de fuzis e pistolas.ONUAinda ontem, acabou em constrangimento a visita do relator especial de Direitos Humanos das Nações Unidas para Execuções Sumárias, Arbitrárias e Extrajudiciais, Philip Alston, ao 16º Batalhão de Polícia Militar de Olaria (na zona norte).O australiano foi "presenteado" com uma réplica do carro blindado da PM, o Caveirão, durante a reunião com o comandante do 16º BPM, Marcus Jardim, que comanda incursões diárias no Complexo do Alemão. Mais de 60 pessoas já morreram no conjunto de favelas desde o início da Operação Cerco Amplo, em junho.A réplica do blindado da PM tinha uma mensagem em português de louvor ao batalhão, chamado de "tropa aguerrida que vive o dia-a-dia de uma guerra urbana". Descreve-se o veículo como "carinhosamente apelidado de caveirão, que tantas vidas salva". O texto termina com vivas ao Caveirão e ao 16º BPM. Embaraçado, o intérprete chegou a parar a tradução no meio. Visto como símbolo da atuação da polícia nas favelas, o caveirão é alvo de várias entidades civis na campanha "Caveirão não!". PROVOCAÇÃOO coronel negou que a réplica de R$ 30 foi uma provocação à causa dos direitos humanos, mas fez graves acusações contra os militantes. "Há os falsos sociólogos, os policiólogos, estas pessoas que não conhecem a realidade dali (Complexo do Alemão) e muitas delas são usuárias de drogas. O usuário não está aqui apenas no Alemão e na Vila Cruzeiro. Lá na zona sul e em qualquer lugar tem. Quem alimenta o crime é a venda de drogas."

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