Policial investigado por ligação com quadrilha é morto no Rio

Um policial militar que poderia estar envolvido com as máfias de caça-níqueis do Rio de Janeiro foi morto a tiros ao deixar o ensaio de uma escola de samba na madrugada de sexta-feira. Jorsan Machado de Oliveira, de 30 anos, estava sendo investigado por suposto envolvimento com o bicheiro Rogério Andrade, chefe de uma das máfias de caça-níqueis do Rio, assim como com o ex-chefe da Polícia Civil do Rio e deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), acusado de proteger a quadrilha do contraventor. O crime ocorreu depois que o cabo da Polícia Militar saiu de um ensaio da Escola de Samba Renascer de Jacarepaguá acompanhado por Antônio Paulo Costa, de 25 anos, também assassinado pelos bandidos. O PM era apontado como o chefe da milícia (grupo paramilitar que se opõe a traficantes, mas cobra pela proteção) no Morro da Caixa D´água, em Jacarepaguá, zona oeste da capital. Oliveira e Costa foram assassinados ao entrarem no Audi A3 preto do policial. Dois homens se aproximaram, deram os tiros e fugiram em um Ecoesport que tinha vidros protegidos por uma película preta. De acordo com testemunhas, as vítimas estavam acompanhadas por dois amigos que também iriam entrar no carro importado, mas, antes de serem atingidos, se protegeram e trocaram tiros com os assassinos. Um dos sobreviventes já prestou depoimento na 41ª Delegacia de Polícia, no Tanque, e foi liberado. A polícia procurou os assassinos nas redondezas de Jacarepaguá, mas até o início da tarde não havia encontrado pistas dos responsáveis pelo duplo homicídio. Além da suspeita de ser o chefe de uma milícia, Oliveira foi denunciado em dezembro à Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF) por ter sido um dos 77 policiais militares acusados de envolvimento com o tráfico de armas e drogas, seqüestro e extorsão, ao fim da Operação Tingüi, realizada pela Polícia Federal. A operação investigou o envolvimento dos policiais com os contraventores que exploram os caça-níqueis. Segundo a PF, Oliveira era íntimo do deputado Lins, acusado de cobrar propinas dos bicheiros Rogério Andrade e Fernando Iggnácio. Ao ganhar a vaga na Assembléia Estadual, com mais de 100 mil votos, o ex-chefe de Polícia Civil ligou para o cabo e agradeceu a ajuda. "Estou ligando para agradecer aí a ajuda, a torcida, todo o trabalho de vocês. Continuamos juntos, vamos em frente que tem muito trabalho ainda", disse Lins, em escuta realizada pela Polícia Federal, durante a Operação Gladiador. O parlamentar, que tomou posse do cargo no dia 1 de fevereiro, nega envolvimento com proteção às quadrilhas que exploram caça-níqueis.UL

Agencia Estado,

03 Fevereiro 2007 | 14h48

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