Policial militar do gabinete de Yeda é preso

O sargento Cesar Rodrigues de Carvalho, lotado no gabinete da governadora Yeda Crusius (PSDB-RS) até a semana passada, foi preso ontem, em Porto Alegre, após investigação do Ministério Público Estadual (MPE). O militar é acusado de utilizar o Sistema de Consultas Integradas do Estado para levantar informações de investigações policiais, partidos políticos, candidatos a deputado no Rio Grande do Sul, além de um ex-ministro e de um senador.

Lucas Azevedo, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2010 | 00h00

O sargento foi denunciado por um empresário ligado a bingos e caça-níqueis, de quem ele recolhia propina há dois anos. Segundo o promotor eleitoral Amilcar Macedo, que vem comandando as investigações, o empresário procurou o MPE há cerca de três meses e contou como funcionava o esquema. Usando carros oficiais, Carvalho ia semanalmente à Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, para receber a propina.

Segundo o MPE, as investigações continuam, já que há suspeitas de que outros oficiais estejam envolvidos no esquema. Os indícios levantados até agora dão conta de que o sargento agia amparado. Apesar de denúncias à Brigada Militar, Carvalho nunca havia sido repreendido. Ao saber das investigações do MPE, o sargento foi exonerado do cargo e, de acordo com o Diário Oficial da última terça-feira, realocado para a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública.

Em uma semana, o sargento chegou a acessar o sistema 1,2 mil vezes. A facilidade em utilizar o banco de dados do Estado fez com que sua prisão fosse antecipada. Carvalho havia descoberto que estava sendo investigado por uma equipe da inteligência da Brigada Militar e do MPE e iniciou uma espécie de contraespionagem, prejudicando as apurações.

O Palácio Piratini foi procurado e informou que se pronunciaria por meio do secretário da Transparência e da Probidade Administrativa, Francisco Luçardo, e do Chefe da Casa Militar, Tenente Coronel Marco Antônio Oliveira Quevedo. Até às 19 horas de ontem, nenhum dos dois havia respondido à reportagem.

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