Fabio Motta/AE
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Policial Militar morto durante assalto é enterrado no Rio

Bruno de Castro Ferreira completaria 30 anos nesta quinta e foi sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, na zona oeste

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

18 Novembro 2010 | 19h18

RIO - Ao som de "Parabéns para você", o soldado Bruno de Castro Ferreira foi sepultado nesta quinta-feira, 18, dia em que completaria 30 anos, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na zona oeste do Rio. Sua morte, com um tiro de pistola calibre 45 no rosto, disparado por um assaltante à queima-roupa na Avenida Rio Branco, a principal via do Centro do Rio, deve encerrar um ciclo das gerações de policiais na família Ferreira. "O bisavô dele se aposentou tranquilamente como tenente, mas hoje ser policial nesta cidade é cavar a própria cova. Tento tirar da cabeça de dois sobrinhos a ideia de entrar para a PM. Isto não é vida", disse a tia-avó de Bruno, Isa Miranda Ferreira, de 67 anos, antes do enterro, acompanhado por cerca de 300 pessoas.

 

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Criado na Favela de Merendiba, no Complexo da Penha, Bruno sempre sonhou tornar-se policial. Ele chegou a ser da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército, mas seguiu a vocação familiar pela Polícia Militar. "Ele sempre sonhou com isso e, quando ingressou na Polícia, há quatro anos, se mudou com a família para Santa Cruz da Serra (distrito de Duque de Caxias), onde ficava o batalhão onde serviu mais tempo", lembrou a prima Solange Ferreira Lima, de 28 anos. Segundo ela, a família Ferreira foi uma das muitas que se mudaram do conjunto de favelas da Penha, quando o local tornou-se território impenetrável para a Polícia com o crescimento da favela vizinha, a Vila Cruzeiro.

 

Há poucos meses, Bruno tinha uma nova missão. Ele era parte da guarnição de Patrulhamento Bancário, que ronda as ruas do Centro do Rio para evitar assaltos às instituições financeiras e seus clientes. Ao ser avisado por populares que criminosos roubaram três celulares e um relógio de pedestres, ele e o parceiro foram prender os assaltantes. "Ele agiu certo no cumprimento de sua missão. Ninguém esperava que um vagabundo portasse uma pistola 45 para assaltar no Centro do Rio. Ele só merece aplausos", discursou um colega de farda no sepultamento.

 

No velório, o pai de Bruno, Antônio Ferreira Neto, de 55 anos, estava inconsolável. O único filho dele, como muitos jovens do subúrbio carioca, casou jovem e logo teve filhos. Ficaram órfãos Samuel, de 6 anos, e Bruna, de 2. Além da tragédia, os familiares estavam revoltados no velório com a crítica de especialistas em segurança pública pela abordagem de Bruno ao assaltante. "Estas pessoas acham que de vez em quando o policial deve fechar o olho e fingir que não viu. Isto não existe para quem cumpre a lei. Eles falam desta forma, porque não foi um parente deles que morreu em defesa da sociedade e foi enterrado no dia do aniversário", lamentou a tia-avó Isa.

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