Policial morre espancado por colegas em Curitiba

Policiais civis de Curitiba fizeram um protesto, na manhã desta terça-feira, em razão da morte do investigador Flávio Mário Pedro, de 58 anos, ocorrida nesta segunda-feira. A suspeita é que ele foi espancado por dois policiais militares, que afirmam terem-no confundido com um bandido no Bairro Tatuquara, periferia de Curitiba. Pedro morreu vítima de lesões múltiplas e hemorragia interna. Os soldados estão afastados, respondendo a processo na Polícia Civil e na Polícia Militar. Pedro foi ferido na última quinta-feira, quando retornava para casa. Segundo os policiais militares, ele não se teria identificado e ainda tentara pegar a arma de um dos soldados. Durante briga entre eles, teriam sido disparados dois tiros, um dos quais acertou de raspão o abdome de Pedro. Levado ao 13º Distrito Policial, somente então teria sido descoberto que ele trabalhava na polícia havia 30 anos e estava lotado no Centro de Triagem. Mesmo ferido, ele depôs na polícia, afirmando que se identificara e mesmo assim foi agredido. Internado no Hospital do Trabalhador, Pedro não resistiu aos ferimentos. "O médico falou que eles estouraram todos os órgãos por dentro de tanto chutar", disse a viúva, Ivonir Cachoroski. "Vou cobrar a prisão deles até o último instante da minha vida." No protesto desta manhã, cerca de 500 policiais civis percorreram as ruas de Curitiba, tendo à frente uma viatura que levava o caixão de Pedro. Eles pararam em frente ao quartel da Polícia Militar e bateram palmas. Depois foram até o Departamento de Polícia Civil, onde houve uma "chuva" de papéis picados. O protesto terminou em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual. O corpo do policial foi sepultado à tarde, com a presença de aproximadamente 100 pessoas. Os comandos das polícias Civil e Militar divulgaram nota em que afirmam estar sendo feita "rigorosa apuração do ocorrido". Enquanto isso, os policiais permanecem afastados das funções. Na nota, os comandos "repelem com veemência insinuações maldosas e tentativas vãs de colocar as duas instituições em conflito ético, moral e funcional". "Reiteramos que a polícia do Paraná age e continuará agindo perfeitamente integrada, cumprindo sua missão constitucional e de cidadania", encerra a nota.

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