Policial preso já era acusado desde 2001

Corregedoria da PM arquivou o processo por não conseguir avançar nas investigações em Osasco

Bruno Paes Manso e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2022 | 00h00

O soldado da Polícia Militar Natanael Viana, de 38 anos, preso anteontem por assassinato e acusado de fazer parte de um grupo de extermínio em Osasco, na Grande São Paulo, já havia sido acusado na Ouvidoria de Polícia, em 2001, de participar de um outro grupo na mesma cidade. O caso foi encaminhado, na época, à Corregedoria da PM, que não conseguiu avançar nas investigações e arquivou o caso. Desde então, o policial continuava trabalhando normalmente. "Não conseguimos provas que confirmassem a denúncia e por isso houve o arquivamento", afirmou o major Mauro José Fernandes Tavares, porta-voz da Corregedoria da PM. Viana foi preso em casa depois de ter sido reconhecido por testemunhas como assassino do motoboy Ricardo Pereira de Oliveira, no dia 28 de julho. Oliveira morreu em um Voyage, na frente da mulher e de duas amigas. Segundo testemunhas, o policial chegou com outra pessoa em uma moto e efetuou os disparos. Viana também é investigado pela tentativa de assassinato de três pessoas, na madrugada de 15 de agosto, no Jardim Bonanza, em Osasco. O soldado pertence ao 14º Batalhão da Força Tática. Segundo o ouvidor da polícia, Antônio Funari, a corregedoria deveria ter acompanhado o dia-a-dia do policial após a denúncia de 2001, o que não foi feito. Ontem, o soldado Fábio Leandro de Santana Saviola, do 42º Batalhão da PM, teve a prisão administrativa decretada por suspeita de participação no mesmo triplo homicídio ocorrido em agosto no Jardim Bonanza. Saviola está preso temporariamente na corregedoria. Ele foi detido porque seu telefone celular foi encontrado no local da chacina. A polícia obteve ontem um mandado de busca e apreensão na residência do policial suspeito. "Esperamos obter novas indícios que ajudem a confirmar a participação do policial no crime", disse o major Tavares. Ele também é suspeito de integrar o grupo de extermínio. A Polícia Civil e a Corregedoria da PM investigam a atuação de um grupo de extermínio que age em Osasco e que pode ter matado cerca de 30 pessoas desde o começo do ano. O grupo era conhecido na região como Eu Sou a Morte. As denúncias sobre a a forma de atuação foram feitas em depoimento à polícia dado por José Edinaldo dos Santos, conhecido como Gaguinho. Santos apontava aos policiais as vítimas que deveriam ser mortas. Ele teve a prisão decretada, mas está foragido. Conforme Santos relatou no depoimento, há 11 soldados, 3 sargentos e 1 cabo que atuam no grupo em Osasco. Segundo a corregedoria, o depoimento de Santos é confuso e dificulta a identificação de PMs no grupo. "Não há como tirar esses policiais das ruas. Faltam indícios que sustentem o pedido de prisão", afirmou Tavares.

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