Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

PM punido por agredir juíza se envolveu em morte de adolescente

Policial responde por ter ajudado a alterar a cena da morte de Alan Souza de Lima, de 15 anos, em fevereiro deste ano

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2015 | 18h56

RIO - Um dos policiais militares acusados de tentar agredir a juíza Daniela Barbosa no Batalhão Especial Prisional (BEP), o soldado Allan de Lima Monteiro já teve o nome envolvido em um crime de repercussão este ano.

Trata-se da morte do adolescente Alan Souza de Lima, de 15 anos, que segundo a Polícia Civil, foi baleado por um policial do 9º Batalhão da Polícia Militar (Rocha Miranda). Na ocasião, os tiros disparados pelo agente, feriram também o jovem Chauam Jambre Cezário, de 17, na Favela da Palmeirinha, em Honório Gurgel, zona norte. O episódio ocorreu em fevereiro deste ano.

Monteiro responde por fraude processual, ou seja, é acusado de ter ajudado a alterar a cena da morte de Alan. Já o autor dos disparos que mataram a vítima teria sido, segundo a investigação concluída pela Delegacia de Homicídios, o sargento Ricardo Vagner Gomes, então colega de Monteiro no 9º Batalhão.

O caso foi registrado inicialmente como auto de resistência e, segundo os inquéritos das polícias Militar e Civil, o soldado Monteiro, que estava no mesmo veículo que Gomes, ajudou o superior hierárquico a mentir e apresentar na delegacia do bairro uma pistola e um revólver. Os dois praças disseram que os armamentos estavam com Alan e Chauam, os garotos baleados.

O relatório investigativo da Polícia Militar, publicado em Boletim Disciplinar Reservado (BDR), descreve imagens de câmeras do carro ocupado pelos agentes. "É registrada a imagem do sargento Ricardo com a pistola na mão e recebendo um revólver pela janela da viatura, do lado da janela do motorista. (...) À 00h7, o sargento Ricardo aparece entregando as armas, que, em tese foram apresentadas na DP, ao soldado L. Monteiro (que também estava no carro) dizendo 'Segura aqui, Monteiro, vê se tá na câmara, tira, esfria essas armas aí'."

O caso ficou conhecido porque Alan acabou registrando a própria morte e o ferimento do amigo pelas câmeras de seu celular. As imagens mostram que os jovens conversavam na comunidade e começaram a correr por uma brincadeira, quando foram surpreendidos por PMs, que atiraram contra o grupo.O momento em que Alan é baleado foi flagrado, assim como a passagem em que os policiais questionam os jovens sobre o motivo de terem corrido. 

Tanto Vagner Gomes quanto Lima Monteiro foram denunciados pelo Ministério Público no dia 9 de julho e tiveram a prisão preventiva decretada no dia seguinte, pela juíza Viviane Ramos de Faria, da 1ª Vara Criminal da Capital. 

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