Policial que teria envolvimento com milícias é velado no Rio

O corpo do policial civil Félix dos Santos Tostes, de 49 anos, começou a ser velado por volta das 13 horas desta sexta-feira, 23. Ele foi assassinado na tarde de quinta-feira, 22, no bairro Recreio dos Bandeirantes, quando sua picape levou mais de 50 tiros de pistolas e fuzis. De acordo com a contagem do site Rio Body Count, o Estado registra 189 mortos desde o dia 1º de fevereiro. O Rio enfrenta, além dos combates entre traficantes e policiais, a disputa entre comandantes de milícias, formadas por policiais, ex-policiais, bombeiros e ex-bombeiros, que passaram a comandar favelas no lugar de traficantes. O velório era realizado em um galpão ao lado da Associação de Moradores de Rio das Pedras, na zona oeste da cidade. Tostes vem sendo apontado como o chefe da milícia que domina há anos a favela Rio das Pedras, em Jacarepaguá, a primeira a livrar-se do tráfico de drogas através do uso de seguranças controlada por policiais e ex-policiais militares e civis. Em Rio das Pedras, ninguém fala sobre o caso, nem seus familiares. O único autorizado a conversar com a imprensa é o presidente da associação, Eli Bittencourt, eleito em dezembro de 2004. "Não vejo nada. Nada tenho a declarar sobre o assassinato. É uma investigação da polícia, porque ela é paga para investigar". Na quinta-feira, no local do crime, a viúva teve uma forte crise nervosa e acusou, para quem quisesse ouvir, o vereador Nadinho, outro morador de Rio das Pedras, que estaria por trás do assassinato. Os dois, que já foram aliados, estariam disputando o controle da milícia na favela. Dois detalhes chamaram atenção no velório. Entre as duas coroas de flores, uma era da família e a outra, da associação de moradores da favela São José Operário, em Jacarepaguá, onde também existe milícia. Outra curiosidade foi a quantidade de carros importados que chegaram na praça principal da favela. Havia pelo menos um jipe, uma BMW, um Audi e uma Mitsubishi. Investigação O delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto, titular da 16.ª Delegacia Policial (Barra da Tijuca), que irá auxiliar na apuração do assassinato do policial civil Félix dos Santos Tostes, admitiu nesta sexta que serão abertos no mínimo três linhas de investigação, dado o envolvimento do policial com milícia, o Bingo Rio das Pedras e a política. O delegado disse que a perícia recolheu 47 cápsulas de munição no local do crime. Elas são de cinco calibres diferentes, dois de pistola e três de fuzis, mas podem ter sido disparadas de apenas quatro armas, pois dois desses calibres podem ser usadas em um mesmo fuzil. Pinto ainda não sabe quantos tiros atingiram o policial, já que um disparo de fuzil esfacelou o cérebro da vítima, espalhando massa encefálica por todo o corpo e prejudicando a contagem das perfurações. A investigação do caso será transferida para a Delegacia de Homicídios, cabendo aos policiais da Barra papel auxiliar. Matéria atualizada às 20h34

Agencia Estado,

23 Fevereiro 2007 | 14h32

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.