Policial sabia que tinha prendido membro de quadrilha

A Corregedoria da Polícia Civil descobriu hoje que pelo menos um policial sabia da verdadeira identidade de Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro, acusado de liderar a quadrilha que seqüestrou e matou o prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), quando foi preso em Maringá, no norte do Paraná. Ivan tinha mandado de prisão no Paraná, mas mesmo assim foi solto no dia 1º de fevereiro. Ele tinha sido preso juntamente com Elcyd Oliveira Brito, o John, e apresentou documentos falsos.Nos depoimentos, os seis policiais acusados de terem recebido propina para liberar os presos alegaram que não sabiam de quem se tratava. Segundo o corregedor Idelberto Lagana, o policial Antonio Rubens de Oliveira consultou o nome de Ivan no sistema integrado da Polícia Civil na tarde do dia 30 de janeiro, cerca de duas horas após ele ter sido preso. Naquele momento nem a polícia paulista sabia da participação do Monstro na morte do prefeito, mas Ivan era procurado no Paraná, onde foi condenado a cinco anos e quatro meses de prisão por roubo. "Além do primeiro crime, de abuso de autoridade, há agora o de prevaricação (deixar de cumprir a função pública)", afirmou Lagana. De acordo com Lagana, o advogado Marcos Cristiane Costa da Silva também teve participação na liberação do preso. O advogado alegou ter ido à delegacia a pedido de uma mulher e que recebeu um carro e dinheiro como honorários advogatícios. O corregedor aguarda a posição da justiça sobre o pedido de quebra de sigilo bancário e telefônico dos seis policiais que participaram da prisão e do advogado para analisar se houve suborno. Ele também fez o pedido de prisão temporária do policial Rubens.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.