Policial será julgado por dar beijos e abraços em colegas

O suposto hábito de um oficial de cumprimentar com beijos e abraços as subordinadas vai ser julgado hoje na 3ª Auditoria da Justiça Militar de São Paulo. Um tenente-coronel da Polícia Militar é acusado de agarrar uma tenente dentro do quartel do 4º Batalhão da Polícia Militar, na Lapa, zona oeste de São Paulo, e tascar-lhe beijos na boca, no rosto e na testa. A acusação contra o oficial é de atentado violento ao pudor e tem como base investigação da Corregedoria da PM. A tenente contou aos corregedores que o tenente-coronel - na época ainda major - agarrou-a com força e a beijou no rosto e na boca. O fato teria ocorrido no dia 10 de dezembro de 2004, quando a oficial entrou na sala do major para o cumprimento matinal do início de expediente. Ela afirmou que dias antes havia pedido a um outro major da unidade que intercedesse junto ao acusado para que ele deixasse de beijar e abraçar as policiais femininas da unidade. Segundo seu depoimento, a oficial denunciou o caso ao comandante da unidade e este, com base no regulamento disciplinar da PM, proibiu cumprimentos com beijos no quartel. A denúncia da oficial foi enviada à corregedoria. Em seu relatório, a presidente do inquérito, a tenente-coronel Angela Di Marzio Godoy Vasconcellos, concluiu que "analisando em especial o conjunto probatório pessoal, incontroverso no sentido das condutas ilegais e imorais" do oficial acusado, verificou que elas eram "ostensivamente repudiadas pelo efetivo do 4º BPM". Além da tenente, o acusado era suspeito de dar beijos em outras policiais da unidade. Segundo a corregedora, o acusado "aviltou não só a intimidade e dignidade das praças femininas, mas também de um oficial feminino PM, ficando perfeitamente demonstrado o descaso do referido oficial para com os princípios basilares da hierarquia e disciplina desta gloriosa corporação". Com base nesse inquérito, o Ministério Público denunciou o tenente-coronel Wilson Correa Junior. Ao ser interrogado, o coronel informou que beijou a tenente no rosto, como de fato costumava cumprimentar as policiais femininas, mas negou tê-la agarrado ou dado um beijo lascivo em sua boca. Disse ainda que a suposta vítima lhe pedia dispensas constantes, que eram negadas. Disse ainda que cumprimentar as policiais femininas com beijos era "um costume" que havia no 4º Batalhão.

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