Policiamento comunitário chega ao Complexo do Alemão

O polêmico programa de policiamento comunitário do governo do Estado do Rio chegou à Vila do Cruzeiro, no Complexo do Alemão, onde o jornalista Tim Lopes foi capturado e morto há três meses. Uma unidade do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae), com 160 policiais que atuarão de forma permanente, foi inaugurada hoje no local. O Gpae, criado há dois anos nos morros Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, que dividem Copacabana e Ipanema, já foi acusado de conivência com o tráfico por um capitão da própria corporação."Não existe acordo. Se houvesse, mais de 70 pessoas não teriam sido presas por tráfico e uso de drogas no primeiro ano e meio do Gpae", afirma o coordenador do projeto, major Antônio Carlos Carballo, comandante do grupamento do Pavão-Pavãozinho naquele período. Carballo disse que as imagens gravadas por Tim Lopes na matéria Feirão das Drogas, na qual traficantes aparecem armados de fuzil, andando pela favela, não se repetirão. "Não toleramos a presença de pessoas armadas na comunidade, o envolvimento de crianças com o tráfico, e o desvio na conduta policial. São esses os três pilares do nosso trabalho", afirmou o major. Ele reconhece, no entanto, que o tráfico não vai deixar de existir por conta da presença da polícia. De acordo com Carballo, quatro equipes de seis a oito homens farão o patrulhamento a pé na favela dia e noite. Isso obriga, segundo o major, que os traficantes mudem constantemente os pontos de venda de drogas.Os policiais fizeram curso teórico de cidadania, direitos humanos, administração de conflito, polícia comunitária, além das aulas práticas de abordagem policial e conduta de patrulha. "Esse tipo de ensinamento derrubou a zero o número de homicídios e de balas perdidas no Pavão-Pavãozinho", afirmou.De acordo com o Senso 2000, 33 mil pessoas vivem na Vila do Cruzeiro, Parque Proletário da Penha e Merendiba, favelas que o policiamento do Gpae abrangerá. "São pessoas que agora têm garantido o direito de ir e vir", afirma Carballo. A estimativa é de que até o fim do ano o Gpae tenha unidades que alcancem as demais favelas do Complexo do Alemão e também o Complexo da Maré. Ainda não há verba garantida para a expansão do projeto.

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