Pexels/Pixabay
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Polícias Civil e Federal se unem em PE para investigar casos ligados a jogo da Baleia-Azul

Sete casos envolvendo mutilações de adolescentes são alvo das investigações; morte de menina de 15 anos é apurada pela polícia da Bahia

Monica Bernardes, Especial para o Estado

21 Abril 2017 | 22h04

RECIFE- Em Pernambuco, sete casos envolvendo mutilações em adolescentes estão sendo investigados pelas Polícias Civil e Federal sob suspeita de ligação com o jogo Baleia-Azul. As duas instituições optaram por montar uma força-tarefa para facilitar as investigações. Estão sendo analisados dois casos no Recife - nos bairros de Brasília Teimosa e Ibura - um caso no município do Paulista, e um em Moreno, cidades na Região Metropolitana do Recife; e três na Zona da Mata Norte, sendo um em Vicência e outro em Goiana e outros dois em Moreno.

Um oitavo caso, envolvendo a morte de uma menina de 15 anos identificada como Ana Vitória Sena de Oliveira, cujo corpo foi encontrado ontem, por pescadores, nas águas do Rio São Francisco, no município de Petrolina, no sertão do Estado será investigado pela Polícia da Bahia, já que a garota morava na cidade de Juazeiro, na divisa com Pernambuco. A família suspeita que o suicídio da menina, que apresentava ainda cortes nos braços e na região dos pulsos, tenha relação com o "jogo Baleia-Azul”. Segundo a Polícia Civil pernambucana, Ana Vitória teria deixado uma carta de despedida aos familiares e mensagens sobre o jogo teriam sido encontradas em seu celular por sua irmã.

Em Moreno, o caso envolvendo duas irmãs de 14 e 16 anos, está sendo acompanhado pela Polícia Federal.  Segundo a PF, na última segunda-feira, a mãe das meninas assistiu a uma reportagem na televisão a respeito do desafio e começou a observar o comportamento das meninas. Ela notou que as irmãs apresentavam lesões nas mãos e nos braços. Na terça, a família procurou a PF. De acordo com o chefe de comunicação da Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco, Giovani Santoro, durante os depoimentos as meninas afirmaram ter entrado no jogo através do Facebook, mas ainda há várias contradições. “Estamos aprofundando as ouvidas e as investigações, tudo com muita atenção e paciência”, destacou.

De acordo com o gestor do Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), o delegado Darlson Macedo, a Polícia Civil investiga outros cinco casos e deverá pedir a quebra de sigilo telefônico de três pessoas responsáveis por linhas identificadas como sendo do interior do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de Salvador, na Bahia. Suspeita-se que estas pessoas estejam fazendo ligações para intimidar os participantes do jogo. O inquérito policial é fruto de uma investigação iniciada na quarta-feira passada após uma adolescente de 13 anos, que mora no Paulista, ter sofrido ameaças em uma rede social por não concluir uma fase que teria sido imposta pelo curador do desafio. A vítima foi submetida a exame de corpo de delito e está recebendo apoio psicológico.

Uma outra adolescente, moradora da cidade de Goiana, é estudante de uma escola da rede pública estadual e teria dado entrada, na última quarta-feira, no Hospital Belarmino Correia após sofrer um surto psicótico e ter passado mal durante a aula. Durante a consulta, a médica plantonista percebeu as várias mutilações no braço da adolescente. Imagens que estão sendo divulgadas pelo Whatsapp mostram a garota vestindo a farda escolar com vários cortes em um dos braços, característica comum dos praticantes do jogo. A assistência social acrescentou que a paciente recebeu alta médica no mesmo dia. Em um dos casos que estão sendo investigados no Recife, no bairro do No Ibura, a vítima matou um gato e se filmou enquanto bebia o sangue do animal.

A Polícia Civil recomenda que os pais observem atentamente os filhos para descobrir se eles estão tendo algum contato com o desafio. Quando ingressam no jogo, os adolescentes tendem a ter mudanças de comportamentos, ficam mais reclusos, introspectivos, passam muitas horas trancados sozinhos, querem sair de madrugada ou em horários fora do usual, passam a madrugada acordados vendo televisão, começam a utilizar roupas de manga comprida para esconder as mutilações. "É essencial que os pais fiquem atentos e procurem a Polícia. Estamos fazendo exames nas pessoas lesionadas e fazendo a ouvida qualificada das crianças. Vamos solicitar apoio do serviço de inteligência para identificar os curadores. As ameaças não vão se concretizar, esses covardes estão aliciando os meninos, que são vulneráveis, mas não vão sair do anonimato, da zona de conforto, para ir atrás de ninguém. Mas precisamos identificá-los e salvar também os outros participantes. O problema é sério, é grave, e os pais precisam ficar atentos", afirmou o delegado Darlson Macedo.

De acordo com as Polícias Civil e Federal, a maioria das vítimas do Desafio da Baleia Azul são crianças e adolescentes entre 10 e 16 anos. Os chamados curadores exigem às vítimas que cumpram 50 comandos e enviem vídeos ou fotos como prova que concluíram cada etapa diária do jogo. Na última fase, os participantes têm que se matar. O desafio que estimula o suicídio é um aplicativo que se alastrou, em 2015, na rede social russa VKontakte e hoje acredita-se que está presente em grupos secretos nas redes sociais. Além de atuar nas investigações, a Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco também está realizando palestras em escolas para alertar os adolescentes sobre os perigos do jogo.

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