Política e economia já incentivaram êxodo

Em 1967, general expulsou quase 3 mil professores, técnicos e intelectuais

O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2008 | 00h00

Em diversas ocasiões ao longo dos últimos 40 anos houve ondas de migração de argentinos para o Brasil. A primeira grande leva começou em 1967, quando o general-ditador Juan Carlos Onganía (1966-1970) expulsou quase 3 mil professores universitários, técnicos e intelectuais. Muitos vieram para o Brasil, onde as universidades estavam ansiosas pelos técnicos formados na Argentina. Esse êxodo foi seguido por uma grande saída de engenheiros, químicos e administradores, que migraram na década seguinte, durante o "milagre econômico". Esse fluxo foi pouco a pouco sendo substituído, a partir de 1974, por pessoas que deixaram a Argentina por causa das tensões políticas que tomavam conta dos últimos meses do governo do general Juan Domingo Perón e se agravaram durante a administração de sua sucessora e viúva, Isabelita.Dois anos depois, com o golpe militar de 1976 e a feroz repressão desencadeada sobre os civis, um grande fluxo de argentinos partiu, muitos rumo ao Brasil, onde a ditadura era vista como mais suave. Intelectuais e profissionais liberais instalaram-se no Sul e no Sudeste.Em 1983, com a volta da democracia, milhares de imigrantes retornaram, sobretudo para Buenos Aires. Mas a hiperinflação de 1989 provocou nova corrida para o exterior.TURISTASNos anos da conversibilidade econômica da década de 90, a Argentina viveu uma inédita estabilidade econômica. Naquela década, quase 2 milhões de argentinos saíam anualmente em férias para o exterior, e o Brasil era um dos principais destinos. Parte desses turistas, fascinados pela praia e o estilo de vida dos brasileiros, que costumam definir como de "alegria permanente", decidiram permanecer no país vizinho. A recessão iniciada em 1998, que se agravou com a crise de 2001-2002, provocou mais um êxodo.Com estabilidade econômica nos dois lados, o atual fluxo de argentinos para o Brasil é considerado fruto da integração regional. "Entre os dois países, no que se refere a migrações permanentes, desde os anos 60 elas ocorreram em uma única direção. Ou seja, de argentinos que emigram para o Brasil", observa José Amiune, do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade Tres de Febrero.

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