Políticas públicas valorizam imóveis em favelas do Rio

Com polícia pacificadora, preços das casas em comunidades da zona sul da cidade aumentaram em mais de 50%

Agência Brasil,

04 de setembro de 2009 | 15h32

O mercado imobiliário vem registrando valorização vertiginosa em algumas favelas da zona sul do Rio nos últimos meses. Os efeitos das polícias pacificadoras e das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) têm sido positivos nessas comunidades, onde, até então, a vista privilegiada das belezas naturais da cidade não era suficiente para sobrepujar a violência e a pobreza.

 

No Morro Dona Marta, em Botafogo, primeira comunidade onde foi instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em novembro passado, o preço dos imóveis quadruplicou. De acordo com Ronaldo Pereira, que já viveu nessa comunidade, sua moradia, que custava cerca de R$ 8 mil em 2007, quando o morro era dominado por traficantes, foi vendida recentemente por aproximadamente R$ 30 mil.

 

No Morro do Chapéu Mangueira, no Leme, com a chegada da polícia pacificadora em junho, o tráfico perdeu o controle da região. Não só os imóveis no morro estão mais valorizados, como também os apartamentos no entorno. A aposentada Celeste Ribeiro, dona de um apartamento de dois quartos com vista para a comunidade, gostou das mudanças, porque estava difícil conseguir um inquilino para o imóvel. "Estava há meses para alugar, porque ninguém queria correr o risco de tomar um tiro dentro da própria casa. Agora que está tranquilo, ficou mais fácil alugar por um preço viável", explicou a proprietária.

 

No Cantagalo, em Copacabana, as obras do PAC tiveram impacto imediato no preço dos imóveis. De acordo com o presidente da Associação dos Moradores do Cantagalo, Luiz Bezerra Nascimento, os preços dos imóveis dispararam logo depois que os operários iniciaram as obras. "Uma casa com vista para o mar, de dois quartos, foi vendida há pouco mais de um ano por cerca de R$ 30 mil. Hoje, com as melhorias na comunidade, a mesma casa vale mais de R$ 50 mil."

 

De acordo com Bezerra, houve valorização também dos aluguéis. "Há mais ou menos um ano, o aluguel de uma casa de um quarto ficava por uns R$ 250, mas agora estão cobrando R$ 380 pelo mesmo imóvel. Aumentou um pouco, mas não tanto quanto o preço das vendas", completou.

 

Entre as encostas da Gávea e de São Conrado, bairros nobres da zona sul do Rio, a Rocinha, com seus mais de 100 mil moradores já chegou a ter o título de maior favela da América Latina. Hoje, com uma população que cresceu 80% em nove anos, a Rocinha tem um dos projetos de urbanização mais ambiciosos do PAC. Embora o tráfico de drogas ainda domine a região e a violência seja motivo de apreensão para os moradores, as obras têm modificado positivamente a geografia e a economia do lugar.

 

Segundo Ana Lúcia Cardoso, integrante do projeto Mulheres da Paz na Rocinha, os moradores já especulam sobre o preço dos imóveis quando as obras ficarem prontas. "Minha casa vale uns R$ 25 mil, mas, se tudo o que eles prometem fazer sair do papel, minha casa vai valer bem mais que R$ 50 mil."

 

Embora ainda não veja as melhorias na comunidade, Ana Lúcia acredita que o PAC melhorou a autoestima dos moradores. "Tem muita gente que não conseguia emprego há mais de quatro anos e agora está com carteira assinada como operário das obras. Quando tudo ficar pronto, a Rocinha vai ser o melhor lugar para morar."

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