Político acusado de suborno é solto

O chefe de gabinete da Prefeitura de Marília (450 quilmômetros de São Paulo), Carlos Umberto Garrossino, e o empreiteiro Francisco Sória, que foram presos no sábado à tarde, em flagrante, quando tentavam subornar o jornalista Oswaldo Machado, ficaram detidos apenas três dias. Ontem à tarde, eles foram soltos pelo juiz federal Fernando David Fonseca Gonçalves, que atendeu ao pedido de habeas-corpus impetrado pelos advogados dos dois.O juiz Fernando David disse em seu parecer que não viu crime de corrupção ativa e que o jornalista Oswaldo Machado, "em momento nenhum se arrogou a qualidade de testemunha, perito ou intérprete, ao qual vantagem teria sido oferecida, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento destinados a surtir efeito em processo penal". Ou seja, o juiz Fernando David, que teve acesso ao inquérito da Polícia Federal, à fita gravada e ao dinheiro apreendido no ato do suborno, considera que "os fatos atribuídos aos presos não se amoldam, o que não permite que as prisões se sustentem, por ausência de justa causa". Carlos Garrossino e Francisco Sória chegaram da Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, sob forte proteção e com as cabeças cobertas, para fugir de imagens e fotografias. O juiz Fernando David também não permitiu a presença dos jornalistas e fotógrafos no hall de entrada do Fórum Federal de Marília. Os dois entraram algemados e saíram livres no final da tarde. Hoje, Garrossino foi recebido com palmas e foguetório na Prefeitura de Marília. O prefeito Abelardo Camarinha aproveitou e fez discurso com transmissão por cadeia de rádios criticando a oposição, que ele considera responsável pela "armação" contra o chefe de gabinete. A assessoria de imprensa da Prefeitura divulgou nota dizendo que a "justiça foi feita e que o processo foi extinto". O delegado federal Washington Menezes informou que o inquérito continua e que está sendo feita perícia na fita gravada pelo jornalista Oswaldo Machado, devendo está concluído em 15 dias, para ser enviado ao Tribunal Regional Federal.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.