Políticos e empresários negam as acusações

Prefeitura de SP diz que está à disposição para colaborar com Ministério Público; Serra e Marta não fazem comentários sobre as investigações

Fausto Macedo e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2011 | 00h00

Empresários, empresas e políticos foram unânimes em negar as acusações do empresário Genivaldo Marques dos Santos investigadas pelo Ministério Público Estadual (MPE). A Prefeitura de São Paulo informou que está à disposição do MPE e vai colaborar com as investigações.

"A Procuradoria-Geral do Município aguarda documentos e informações adicionais do Ministério Público sobre o caso para tomar medidas cabíveis, como já o fez anteriormente ao ser informada das investigações pelo MPE", disse em nota oficial. Entre as medidas já tomadas estão a revisão dos contratos em 2009.

Procurado pelo Estado, o ex-governador e ex-prefeito José Serra (PSDB) não se manifestou. A ex-prefeita Marta Suplicy também não. No início da investigação ela negou, em nota, qualquer irregularidade e classificou as acusações como "absurdas, infundadas". "Enfrentei uma prefeitura arrasada, escolas sem merenda", disse em 2009.

O secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo, Januário Montone, afirmou desconhecer Santos. "Fico profundamente indignado com esse tipo de acusação. Para defender minha honra, vou tomar providências."

Montone contou que ao assumir a Secretaria de Gestão teve de "sanear a bagunça dos contratos" da merenda "herdados da administração anterior (Marta Suplicy)". Disse que uniformizou os contratos e deu transparência às compras. "Não tenho nada a esconder."

"Isso não é verdade, não conheço essa pessoa, nunca estive (com Santos)", reagiu Valdemir Garreta, ex-secretário de Comunicação do governo Marta Suplicy. "Minha conduta sempre foi pautada pela ética e transparência. Estou à disposição para quaisquer esclarecimentos."

Garreta afirmou que seus dados fiscais e bancários "estão abertos às autoridades". Segundo o ex-secretário, o que o deixa indignado é que Genivaldo disse que não o conhecia em um primeiro depoimento. Depois, mudou a versão. "Vou tomar as medidas judiciais cabíveis em relação a essa pessoa."

A Denadai/Convida Alimentação Ltda. disse que "cumpriu rigorosamente os contratos com a Prefeitura". Em nota, afirmou: "Desde o ano passado não temos qualquer contrato com a Prefeitura. Afirmamos que os representantes da Convida nunca tiveram sequer um contato com o sr. Genivaldo Marques."

A Nutriplus afirmou que "nunca teve nenhum contato e não conhece o sr. Genivaldo Marques". A empresa disse que não organizou e não participou, de 2001 a 2009, período em que prestou serviços para a Prefeitura de São Paulo, de nenhuma reunião em suas dependências com gestores das administrações Marta, Serra ou Kassab.

"Tal afirmação pode ser comprovada pelo controle de entrada e saída do prédio em que seu escritório estava instalado na capital", destaca a Nutriplus. "Em poder do Ministério Público, a lista não registra o nome de nenhum funcionário da Prefeitura. A Nutriplus reafirma a postura ética pautada pela seriedade, verdade e idoneidade e, portanto, não participa de qualquer ação lesiva ao patrimônio público."

A direção da Coan declarou "que não procede qualquer acusação de pagamentos indevidos a políticos como forma de obter vantagens irregulares no mercado de refeições escolares". "A empresa tem participado de licitações com êxito exclusivamente por seu pioneirismo, tecnologia, logística e qualidade." A Coan alegou que não teve ou tem contato pessoal com Genivaldo "e que só o reconhece por suas entrevistas na televisão". A SP Alimentação, de Eloizo Durães, negou as acusações e disse que Santos é inimigo de Durães. A empresa acusou Santos de desviar dinheiro da SP Alimentação e sugere que ele possa ter falsificado provas.

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