'Políticos não são super-heróis'

Com bom humor, a senadora Marina Silva, candidata do Partido Verde à sucessão presidencial, falou ontem sobre o estado de sua saúde, fragilizada ao longo dos anos por problemas graves, como leishmaniose, contaminação por mercúrio e hepatite.

, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2010 | 00h00

Marina enumerou pais e avós que morreram com a idade muito avançada para citar a resistência e longevidade da família e disparou, ironicamente: "Se a concorrência quiser se livrar de mim pelos problemas de saúde, pode tirar o cavalinho da chuva", afirmou, arrancando risos da plateia que acompanhou a participação da senadora do Acre na sabatina feita pelo Grupo Estado, em São Paulo.

A candidata lembrou que fala sobre o assunto desde os 17 anos, quando teve sua primeira grande crise de saúde, ao contrair uma hepatite que comprometeu seriamente o funcionamento de seu fígado.

"Eu tenho uma alimentação controlada e saudável. Com 52 anos, você acha que eu tenho essa performance aqui como?", afirmou.

"Graças a Deus, eu estou muito bem", continuou. "A gente não tem de que ter essa impressão de que os políticos são super-heróis, que não pegam uma gripe", disse.

Foi exatamente esse clima descontraído que fez com a candidata acabasse disparando farpas até na direção da adversária Dilma Rousseff, do PT, líder nas pesquisas de intenção de voto. A equipe do programa CQC provocou Marina, indagando se ela não ficava se perguntando, diante do espelho, o que Dilma tinha a mais do que ela para crescer tanto nas pesquisas.

No mesmo tom da pergunta, a resposta foi puro veneno: "Com certeza são os quilinhos a mais", disse, provocando outra onda de risadas no auditório.

Conhecida por sua gentileza com as pessoas, Marina acabou se arrependendo e pediu desculpas à rival política. Mas apenas no final de todo o evento.

"Antes de sair, vou fazer aqui um pedido de desculpas para Dilma, porque entre mulheres é terrível o que eu fiz", reconheceu.

Primeira fila. Marina participou da sabatina acompanhada pelos principais integrantes de sua equipe de coordenação de campanha. Na primeira fila, seu candidato a vice-presidente, o empresário Guilherme Leal, seguia atentamente os comentários feitos pela senadora.

Próximos do palco também estava o coordenador geral da campanha, João Paulo Capobianco, que foi secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente na parte final da gestão de Marina, além de ocupar a secretaria de Biodiversidade e Florestas.

"Está boa a campanha", comentou o coordenador, apesar de Marina aparecer apenas em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto feitas até agora.

Outros auxiliares importantes de Marina no ministério migraram para a campanha e estiveram na plateia da sabatina: Basileu Margarido, que foi chefe de gabinete e presidente do Ibama, e Tasso Azevedo, que ocupou a direção do Programa Nacional de Florestas da pasta.

Entre políticos, estavam lá o candidato do PV ao Senado em São Paulo, Ricardo Young, e o candidato a vice-governador do PV no Estado, Rogério Menezes, que representava o cabeça de chapa Fábio Feldmann. Acabaram ganharam uma menção especial da aliada, que aproveitou para pedir votos para suas chapas.

"O projeto político representado pela candidatura de Marina é muito importante para o PV. Independentemente do resultado, o projeto do partido já é vitorioso", avaliou Rogério Meneses, que também integra a direção nacional da legenda.

Apesar das dificuldades para fazer a campanha melhorar seus indicadores nas pesquisas, Marina voltou a abusar da ironia ao se negar a responder o que poderia fazer para crescer na preferência dos eleitores e superar seus adversários na corrida pelo Palácio do Planalto.

"Se eu disser isso para vocês, aí a Dilma e o Serra vão pegar a minha dica e eu me dou mal. Isso é secreto, secretíssimo", disse. / MARCELO DE MORAES

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