Políticos não têm planos concretos

Maioria dos candidatos à Prefeitura apóia o uso da bicicleta como transporte, mas assunto está em estudo

Carolina Spillari, O Estadao de S.Paulo

26 de julho de 2008 | 00h00

Sem propostas concretas, os candidatos à Prefeitura arriscam palpites sobre as ciclovias. São favoráveis, na maioria, ao uso de bicicleta como meio de transporte. Mas não há um plano concreto para que São Paulo receba ciclovias e ciclofaixas. O uso da bicicleta deve ser pensado em articulação com o sistema de transporte público, opina a candidata Marta Suplicy (PT). Segundo Marta, as ciclovias devem trazer impactos positivos ao trânsito, à qualidade do ambiente e também à qualidade de vida e à saúde de quem as utiliza. Porém, deve haver um investimento maior em bicicletários próximos a estações de metrô e de terminais de ônibus. A bicicleta estará na matriz do transporte, de acordo com o plano de governo do candidato Geraldo Alckmin (PSDB), que ainda está sendo elaborado. Alckmin disse que, em sua viagem a Bogotá, iria conhecer o Trasmilenio, um sistema de transporte público que integra a bicicleta com os corredores de ônibus. Na capital colombiana, há mais de 300 km de ciclofaixas. Para São Paulo, o tucano defende um sistema integrado, onde se vá de bicicleta até as estações de trem ou metrô e que lá haja vaga reservada para deixá-la, como já é feito em estações da CPTM.O atual prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), diz que pretende reservar recursos no orçamento de 2009 para implantar 100 km de ciclovias e ciclofaixas. A novidade é que está em estudo um Plano Global Cicloviário, afirma Kassab.O veículo é importante, segundo ele, do ponto de vista da saúde pública, por combater o aquecimento global e diminuir a poluição do ar. RESPEITOPaulo Maluf (PP) disse que nas cidades em que as bicicletas são usadas como meio de transporte, como Amsterdã e Paris, os trechos marcados (ciclofaixas) e pistas especiais (ciclovias) fazem com que os automóveis respeitem os condutores desses veículos. Na capital de São Paulo, conforme o ex-prefeito, os caminhos para bicicletas seriam possíveis em bairros mais planos - nas regiões sul e leste -, junto a corredores em todas as avenidas. Para Soninha Francine (PPS), deveriam ser privilegiados os trajetos curtos, de 2 quilômetros, próximos às estações de metrô e trem, para que as pessoas possam ir de casa até uma estação. Segundo Soninha, já existe conhecimento técnico para adequar as condições do tráfego à bicicleta. O que falta "é mandar fazer o sistema cicloviário". A utilização da bicicleta como veículo implica uma escolha a ser feita pela cidade, diz o candidato pelo PSOL, Ivan Valente. Segundo ele, não existem meios, segurança e condições de locomoção. O uso desse tipo de veículo é possível, conforme o candidato, tanto que a atual administração falou em construir 50 quilômetros e não implantou. O uso da bicicleta no cotidiano acaba deixado de lado, já que "o automóvel foi eleito como prioridade", afirma. Uma mudança profunda no trânsito. É o que defende o candidato do PCB, Edimilson Costa. A partir de uma reorganização do tráfego, segundo ele, as ciclovias e as vias para motocicletas teriam mais espaço e começariam a ser pensadas. O que inviabiliza a bicicleta como transporte público hoje, em sua opinião, é o trânsito caótico. O candidato defende a municipalização do transporte público e a tarifa zero para os passageiros.Conhecido pelo seu projeto do aerotrem, um sistema suspenso de trens que complementaria o sistema viário de ônibus e metrô, Levy Fidélix, do PRTB, defende que as bicicletas sejam usadas somente para lazer. Segundo ele, as ciclovias não são adequadas por serem direcionadas a veículos individuais. O trânsito da cidade não ficaria melhor com as bicicletas, afirma a candidata pelo PCO, Anaí Caproni. Apesar de não constarem em seu programa de governo, ela diz não ser contra as magrelas. As verdadeiras necessidades da população, segundo Anaí, seriam atendidas por meio do investimento no transporte coletivo.

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