Poluição piorou nas praias do litoral paulista em 2003

Pioraram as condições de uso das 128 praias doLitoral Paulista, se comparado o desempenho de 2003 com o ano anterior, constata o Relatório Anual de Balneabilidade do Estado de São Paulo, divulgado pela Cetesb hoje, em São Vicente. "Mas isso se deve ao fato de 2002 ter chovido muitopouco", justificou Rubens Lara, presidente da estatal. "Foi um ano atípico", acrescentou. Conforme explicou, em 2002 o índice de balneabilidade das praias do litoral foi de 69%. No ano passado, o número caiu para 48%. "Nota-se a queda, mas 2002 foi o ano mais seco dos últimos 35 anos", disse.A coleta de água para exames é feita semanalmente em 148 pontos de 128 praias paulistas. Com a estiagem, as chuvas nãolevam o lixo acumulado em encostas para o mar. "Mas se comparar-se 2003 com 2001, notamos uma melhora", afirmou o presidente da Cetesb. "Nesse ano, o índice de balneabilidade ficou em 43%". Em sua explanação, Rubens Lara destacou os sete emissários submarinos construídos ao longo do litoral e que sãofundamentais na manutenção da balneabilidade das praias. São três no Litoral Norte, no Canal de São Sebastião, e quatro na Baixada Santista. Lara disse que o Governo do Estado investiu R$ 650 milhões desde 1995 em saneamento básico na Baixada Santista e esteano injeta uma verba de R$ 46 milhões no setor. "E a partir do ano que vem, os investimentos alcançarão R$ 1 bilhão em umprojeto para as nove cidades da baixada". O objetivo é deixar os municípios que compõem a Baixada Santista com o índicepróximo ao de Santos, que tem 98% dos domicílios atendidos pela rede coletora de esgoto. "Isso, até 2009", estimou. Na Baixada Santista, também verificou-se uma queda no índice de balneabilidade entre 2003 e o ano anterior. Em 2003, abalneabilidade se fixou em 36% nas praias, enquanto em 2002 o número ficou em 53%. "Mais uma vez, vemos uma melhora ao compararmos com 2001, que teve 23%". Rubens Lara disse ainda que o emissário submarino de Santos (que também atende São Vicente) sofrerá uma reforma. "Após25 anos de uso, ele vai ser modernizado", informou. Esse emissário, conforme Rubens Lara, trabalha com uma vazão de 4 metros cúbicos por segundo e sua capacidade máxima é de 7 metros cúbicos por segundo. "Ele opera abaixo de sua capacidade". O que provocou estranheza ao prefeito Márcio França, de São Vicente. Ele assegurou que três bairros de sua cidade, Guamium, Parque Bitaru e Gonzaguinha, não estão ligados à rede coletora de esgoto que serve o emissário santista. "A Sabesp alega que ele está saturado". Outro ponto de discórdia na divulgação do relatório foi em relação aos sete canais de Santos. Lineu José Bassoi, diretor da Cetesb, confirmou que os canais não passaram nos testes, pois todos apresentaram altos índices de contaminação por coliformes fecais, o que sugere que existam ligações clandestinas de esgoto. "Precisamos detectar o problema", disse. A secretária de Meio Ambiente do Município, Yeda Sadocco, apontou o extravasamento da rede como causadora dacontaminação. Lineu Bassoi foi claro. "Não acredito". No final, Yeda Sadocco preferiu corrigir e falar que o extravasamento é na rede coletora "predial".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.