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Pólvora da bomba do fórum era de fogos de artifício

Pólvora usada em fogos de artifício foi o explosivo utilizado na bomba que explodiu nesta quinta-feira no Fórum João Mendes, no centro de São Paulo. O detonador não tinha nenhum componente metálico.Mesmo se houvesse detector de metais na porta do prédio, o aparelho não seria capaz de barrar a entrada do artefato.Estas são as primeiras conclusões dos integrantes do Esquadrão Anti-Bombas do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar.Eles examinaram os restos da bomba deixada no 16º andar do prédio, que estava passando por reforma. O artefato quebrou vidros das janelas e feriu três pessoas que passavam pela rua."Pelas características da explosão e dos restos deixados, podemos afirmar com 99% de chance de acertar que se tratava de pólvora de fogos de artifício", disse o primeiro-tenente Dorival Mignanelli, chefe do esquadrão antibombas do Gate.A bomba devia estar guardada numa embalagem de leite longa vida, cujos restos foram encontrados pelos especialistas da polícia. Não se sabe ainda a quantidade de explosivo que o artefato continha, porque seu efeito foi aumentado ao explodir em lugar fechado.Por enquanto, não há pistas do autor do atentado, embora haja suspeita de que a ação foi uma represália do Primeiro Comando da Capital (PCC), que teve 12 centrais telefônicas desmanteladas pela polícia.A Justiça pediu nesta sexta-feira ao Departamento Estadual de Investigações sobre Crimes Patrimoniais (Depatri) cópia do inquérito sobre a explosão de outra bomba, ocorrida em 15 de junho de 2000 no Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda.Por enquanto, não há indícios de autoria daquele atentado ou de ligação com o ocorrido nesta quinta-feira. Os homens do Depatri interrogaram nesta sexta as 12 pessoas presas por trabalhar nas centrais telefônicas usadas pelos líderes do PCC para manter contatos até com os subordinados nas ruas.O delegado Irani Guedes, que apura o caso, disse que a partir de segunda-feira ouvirá os sete operários e o engenheiro responsável pela reforma do 16º andar, além dos três seguranças que lá trabalhavam.O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, considerou precipitada a avaliação de que a explosão no fórum tenha sido uma resposta do PCC ao desmonte das centrais telefônicas."Não se pode concluir se há relação com o PCC. Acho que essas conclusões todas são precipitadas. Devemos aguardar a conclusão da investigação."Alckmin afirmou ainda que o governo não vai "arredar um milímetro" na luta contra o crime.Uma ameaça de bomba paralisou nesta sexta-feira à tarde um trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que saíra da Estação Guaianases e ia para o Brás. Após um telefonema anônimo à sua central de controle, a companhia deteve o trem na Estação Tatuapé. Os passageiros deixaram a composição, que foi revistada. Nada foi achado.

Agencia Estado,

01 de junho de 2001 | 22h01

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