Ponte da Amizade é fechada de novo; brasileiros ficam retidos

A Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Ciudad do Leste, no Paraguai, voltou a ser fechada nesta quinta-feira pela manhã, em protesto contra a apreensão, pela Receita Federal, de veículos paraguaios com contrabando. Cerca de 300 brasileiros que faziam compras na cidade paraguaia foram impedidos de voltar para o Brasil. A Polícia Federal ocupou o lado brasileiro da ponte para evitar tumultos. Os policiais dispersaram a aglomeração que se formava próximo da aduana. Uma mulher desacatou um policial e foi presa. No lado paraguaio, um grupo de brasileiros conseguiu driblar os manifestantes e voltou pela cidade argentina de Puerto Iguazu. No início da tarde, os manifestantes liberaram outros grupos, mas até as 16 horas ainda havia brasileiros sem condições de voltar para casa pela ligação internacional. ReclamaçãoA ponte havia sido reaberta na noite de quarta-feira, 22, após negociação em Brasília, depois de permanecer bloqueada desde o início da semana. Os paraguaios reclamam do rigor dos fiscais brasileiros na vistoria dos seus veículos, especialmente vans e táxis, usados no transporte de contrabando. Na manhã desta quinta, assim que as lojas de Ciudade Del Leste abriram, milhares de compradores e sacoleiros cruzaram a ponte. No lado brasileiro da fronteira, formou-se uma fila de dois quilômetros de caminhões. Durante a fiscalização de rotina, próximo da aduana brasileira, 4 carros, 1 van e 5 motos foram apreendidos porque levavam mercadorias sem nota ou acima da quota permitida. CríticasAssim que a notícia se espalhou pelo lado paraguaio, um grupo de taxistas e camelôs ocupou a entrada da ponte. Em poucos minutos, a passagem foi bloqueada. "Estão brincando com a gente", disse Cristian Acosta, um dos líderes dos taxistas. "Agora, é o povo que fechou e só o povo decide quando reabre." Acosta criticou as autoridades paraguaias, que teriam dado uma versão "mentirosa" para o resultado do encontro com membros do governo brasileiro, em Brasília, esta semana. "Disseram que o Brasil ia relaxar um pouco a fiscalização." Motoristas de vans do Brasil se solidarizaram com os colegas paraguaios e fizeram um buzinaço na frente da prefeitura. "Também dependemos da ponte para trabalhar", disse Eleandro Benitez.

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