Pontos vulneráveis à exploração sexual crescem 38% no Sudeste

Mapeamento da PRF aponta 1.969 locais passíveis a casos de exploração de crianças e adolescentes nas estradas do Brasil

Isabel Filgueiras, Especial para O Estado

25 de novembro de 2014 | 19h55

SÃO PAULO - O número de pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas do Sudeste cresceu 38% entre os períodos de 2013/2014 e 2011/2012, segundo a sexta edição do "Mapeamento dos Pontos Vulneráveis à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nas Rodovias Federais Brasileiras". O estudo, divulgado nesta terça-feira, 25, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), mostra que o total de locais passíveis ao crime passou de 358 para 494 na região, segundo maior aumento no País, atrás apenas do Sul com 41%. Em todo o Brasil, foram identificados 1.969 pontos vulneráveis - crescimento de 9% em relação ao levantamento anterior.

De acordo com a pesquisa, um dos fatores que contribuíram para a alta no índice foi o investimento em capacitação dos policiais. "Eles têm um olhar mais atento hoje. O que antes não era enxergado como ponto vulnerável, agora já é visto com mais sensibilidade", explica a presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da PRF, Márcia Vieira.

A cada 27,8 quilômetros, há um ponto vulnerável à exploração nas rodovias do Sudeste. No Sul, a concentração é ainda maior, com um ponto a cada 23 quilômetros. Segundo Márcia, o número não representa locais onde há prática criminosa, mas áreas para as quais a polícia deve se atentar para preveni-la.

Apesar do aumento no índice nacional, a PRF encara os novos dados de forma positiva. "Houve redução de 28% dos pontos críticos, que são aqueles onde já houve casos confirmados de prostituição", afirma. O estudo, realizado em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Childhood Brasil, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Ministério Público do Trabalho atribui a melhora a programas de combate à exploração sexual.

Nordeste. O Nordeste tem o segundo maior índice absoluto do Brasil (475) e teve aumento de 28% no total de pontos de vulnerabilidade. No entanto, com a maior malha viária do País, a região se saiu melhor em dados proporcionais, com um ponto vulnerável a cada 38 quilômetros. Paraíba e Rondônia, no Norte, se destacam pela redução de locais passíveis ao crime com quedas de 97% e 77% respectivamente.  

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