População crê que medida social é mais eficiente que lei

A onda de violência e casos extremos, como a morte do menino João Hélio, não levaram a população brasileira a defender medidas duras como pena de morte e redução da maioridade penal. Pesquisa feita a pedido da Federação do Comércio do Rio de Janeiro com mil pessoas em 70 cidades brasileiras revela que a população acredita que programas sociais para crianças, geração de emprego para jovens e a aprovação de leis mais duras são mais eficazes para a redução da violência do que a possibilidade de condenar adolescentes de 16 anos. A consulta foi feita 15 dias depois da morte do menino de 7 anos, arrastado por 7 quilômetros por ladrões de carros. "A sociedade se emociona, fica abismada, mas no momento de se posicionar a respeito da segurança pública se mostra madura. Os entrevistados querem mais policiais nas ruas, geração de emprego, leis mais duras, ações de inclusão social. Ou seja, uma política global que extrapola ações de segurança", afirmou Orlando Diniz, presidente da Fecomércio. Os pesquisadores do Instituto Ipsos sugeriram oito ações para o combate à violência. O entrevistado respondia se concordava ou não. Das pessoas ouvidas, 91% foram a favor de programas para crianças de 7 a 14 anos fora do período escolar. A população também concordou em manter as escolas abertas aos fins de semana (87%), punição de menores de idade como adultos (85%), e autonomia para os Estados criarem leis específicas de combate à violência (83%). Medidas efetivas Apesar de a "punição de menores" aparecer em terceiro lugar, quando o entrevistado respondia qual medida era mais efetiva, a redução da maioridade penal perdeu na comparação com investimentos sociais (58%), geração de emprego para jovens (70%) e endurecimento das leis (66%). Cinqüenta e nove porcento dos entrevistados também responderam que a melhor solução para a violência passa por moradia, saúde, educação e emprego, contra 39%, que pedem "política de segurança pública forte". Somente na Região Sul a população defende uma política mais rigorosa. "No Sul, os índices de analfabetismo e de famílias em situação em pobreza são menores. O abismo social é menor. Por isso eles defendem ações diretas", afirmou Diniz. A sensação de insegurança ficou bem nítida quando os pesquisadores quiseram saber qual seria a melhor solução para resolver a violência e criminalidade. A necessidade de ter mais policiais nas ruas foi a opção mais apontada m todas as faixas etárias, gêneros e regiões do País. "Há um desejo grande de tranqüilidade. E as pessoas associam essa sensação a mais policiamento nas ruas. Mas elas também sabem que para essa segurança ser sustentada a longo prazo é preciso inclusão social", afirmou Diniz. Observatório O presidente da Fecomercio-RJ informou que um grupo de empresários vai à Colômbia nos próximos dois meses para estudar como o setor pode ajudar a melhorar a segurança pública. "Vamos nos informar sobre ações dos empresários. Existe um projeto, por exemplo, em que grandes chefs vão às escolas públicas. Além de ensinarem técnicas às cozinheiras da escola, eles mostram nova perspectivas ao jovem", informou Diniz. O empresário disse que está em estudo a criação do Observatório Público-Privado de Segurança Pública, para discussão de pesquisas e análises sobre questões ligadas à violência.

Agencia Estado,

19 Abril 2007 | 20h55

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