População exige que morte de menina seja investigada em Sorocaba

Vestindo camisetas brancas e levando cartazes com a foto da garota, cerca de 50 pessoas participaram nesta segunda-feira, 9, de uma passeata pelas ruas centrais de Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo, para cobrar a apuração da morte da menina Kathleen Lucas dos Santos, de 8 anos. O corpo de Kathleen, que estava desaparecida desde 7 de setembro, foi encontrado num terreno baldio, no último dia 30. A família acredita que ela foi vítima de violência. A manifestação começou na frente da Catedral, na Praça Fernando Prestes, de onde o grupo saiu em passeata pelas ruas do centro. A mãe, Creuza Apolinário, de 43 anos, disse ter certeza de que a filha foi assassinada. "Ela estava bem de saúde e foi achada daquele jeito." Chorando muito, a mulher pediu justiça. "Tudo o que eu quero é ver na cadeia quem fez isso com minha filha para que não aconteça com outra criança." O presidente da ONG Criança Feliz, Peterson de Oliveira, cobrou o esclarecimento da morte. "É mais uma mãe que sofre pela violência contra uma criança." Kathleen desapareceu depois de sair de casa, no Jardim Simus, zona oeste de Sorocaba, para ir a uma igreja, a 50 metros, onde se realizava uma quermesse. Ela não voltou e a mãe passou a fazer vigília na calçada à espera de notícias da filha. A advogada criminalista Regina Maria Gomes de Oliveira disse, durante a manifestação, que denunciou à polícia um suspeito, mas ele não teria sido investigado. Era, segundo ela, um andarilho que permaneceu cerca de três semanas na cidade, na mesma região em que a menina desapareceu. "Estava com escoriações produzidas por arranhões no braço e alegou que tinha caído da bicicleta." Os restos de Kathleen foram sepultados no último sábado, depois que a Polícia Civil confirmou sua identidade pelo exame da arcada dentária. O delegado Acácio Aparecido Leite, que apura a morte, disse que a polícia adotou uma linha de sigilo em torno das investigações para não criar "desasossego" na comunidade. Ele enviou as roupas encontradas no corpo da criança para uma perícia especializada, em São Paulo, em busca de sinais de violência.

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