População pedirá novo imposto, afirma Dilma

Em entrevista à TV Record, presidente diz que 'quando ficar claro' que mais recursos para a saúde são necessários, brasileiros vão apoiar a ideia

RAFAEL MORAES MOURA , TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2011 | 03h06

Após a Câmara rejeitar a criação de um imposto para a saúde nos moldes da antiga CPMF, a presidente Dilma Rousseff admitiu ontem, em entrevista à TV Record, que o setor enfrenta um problema sério de gestão no País - e sugeriu que a própria população brasileira apoiaria uma nova taxa para garantir recursos adicionais que melhorassem os serviços públicos.

"Não estou pedindo hoje um aumento de impostos. Nós vamos melhorar a gestão da saúde neste País. E quando ficar claro para a população que ela precisa de mais coisa, ela mesma vai se encarregar de pedir", disse Dilma, durante entrevista ao vivo ao programa "Hoje em Dia".

"Tem um problema sério de gestão, sim. A gente tem recursos e o uso desses recursos tem de ser melhorado", afirmou. Dilma destacou ainda que é preciso melhorar a qualidade dos hospitais e aumentar a quantidade de médicos.

"Não sou, como diz a Bíblia, sepulcro caiado. Por que eu não sou? Porque eu tenho obrigação de falar para a população o que ela tem direito de ouvir", disse.

Em 2007, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma de suas maiores derrotas legislativas, quando o Senado derrubou a CPMF. Em entrevista ao Estado publicada nesta segunda, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, defendeu um novo imposto para a saúde, dizendo que o assunto deve ser um dos principais temas das eleições do ano que vem.

Outros países. De acordo com a presidente, é possível contar "nos dedos" os países que possuem sistema universal de saúde de qualidade. Dilma comparou o investimento per capita brasileiro com o de países vizinhos e lembrou as dificuldades do presidente dos EUA, Barack Obama, em reformar o sistema de saúde.

"Se você for olhar, a Argentina, per capita, investe mais em Saúde do que nós 42%. O Chile, 27% a mais e, se você olhar o setor privado versus o setor público no Brasil, o setor privado, per capita, está colocando duas vezes e meia a mais", comentou.

"O que eu quero dizer com isso é o seguinte: não aceitem, em hipótese alguma, que a saúde no Brasil não precisa de mais dinheiro. Não é possível aceitar isso. É uma coisa perigosa."

Durante a entrevista, foi servido um café da manhã. A presidente Dilma também foi questionada se "acha bom" governar o Brasil, se sempre sonhou em ser presidente e se achava que poderia influenciar "muita gente" fora do País. A sucessão de escândalos que abalaram os nove meses do governo e levaram à queda de quatro ministros não foi assunto da conversa.

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