Por ano, R$ 22 bi de prejuízos com acidentes

Valor inclui gastos com saúde e resgate, danos aos veículos, perda de cargas e produção

O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) completou dez anos no dia 23 de setembro, com poucos motivos para comemorações. Apesar de a taxa de mortos em acidentes no País ter caído 32% no período - de 12,5 para 8,5 por 100 mil habitantes -, o número absoluto se manteve no mesmo patamar, o que é visto como um avanço muito tímido por especialistas e estudiosos do trânsito. Para piorar, nos últimos dias uma série de tragédias nas estradas do País voltou a colocar em dúvida a eficácia da atual legislação. O pior desastre ocorreu na noite de terça-feira, no município de Descanso (SC). Depois de uma colisão entre uma carreta, um ônibus e um caminhão, provocada por uma ultrapassagem forçada, outro caminhão na contramão atingiu as equipes de resgate e as pessoas que acompanhavam os trabalhos de socorro. Ao todo, 27 pessoas morreram - incluindo bombeiros e jornalistas que cobriam o acidente - e pelo menos 90 ficaram feridas. O motorista do caminhão que provocou o segundo acidente, Rosinei Ferrari, foi indiciado por homicídio doloso. Alegou que os freios do veículo falharam. Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que, no ano passado, Santa Catarina foi o segundo Estado com maior número de mortes em estradas federais e estaduais no País, atrás apenas de Minas Gerais, com 2.335 registros. Se for levado em conta o 1,3 milhão de quilômetros de rodovias, morrem em média 40 pessoas por dia em acidentes. O Ipea estima ainda que os acidentes de trânsito matam por dia cem pessoas no País - número que inclui as ocorrências nas ruas e nas avenidas das cidades. O prejuízo causado aos cofres públicos é de R$ 22 bilhões ao ano - incluindo os gastos com saúde e resgate, a reabilitação, os danos aos veículos, a perda da carga do caminhão, a remoção do veículo, o traslado da carga e até a perda de produção da pessoa que fica sem trabalhar. "As autoridades deveriam perceber que, se investissem mais no trânsito, economizariam com todos esses itens", diz o engenheiro Ailton Brasiliense Pires, ex-diretor do Departamento Nacional de Trânsito.

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