Por causa da chuva, SP terá 50% das praias impróprias até março

Tempestades arrastaram esgoto das encostas para o mar; prefeituras pressionam Cetesb para mudar avaliação

Sérgio Duran e Rejane Lima, O Estadao de S.Paulo

09 de fevereiro de 2008 | 00h00

As chuvas fortes que atingiram o Estado no mês de janeiro derrubaram a qualidade das praias. Quem planejou descer a serra hoje encontrará termômetros indicando temperaturas acima de 30 graus e praias contaminadas por esgoto. Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), 79% das praias do litoral sul e da Baixada Santista estão impróprias para banho. Pela metodologia da Cetesb, 50% das praias de São Paulo permanecerão impróprias até março, quando acaba o verão.A bióloga Débora Orgler de Moura, da Cetesb, diz que o alto índice de praias sujas deve-se ao lançamento maciço de esgoto na costa, o que ocorre durante as tempestades, que arrastam tudo para o mar.A Cetesb mede nas praias a incidência da bactéria Enterococcus, presente nas fezes. Aos domingos, a coleta é feita em 155 pontos diferentes da costa, em 136 praias. Depois, é feita uma cultura para que as bactérias cresçam e sejam contadas. Mais de 100 Enterococcus em 100 ml de água é o suficiente para despertar a atenção.A classificação da praia é determinada por uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), segundo a qual a praia que apresentar, a cada cinco coletas, duas com mais de 100 bactérias por 100 ml deve ser considerada imprópria. Uma única coleta que aponte mais de 400 bactérias por 100 ml de água também gera a classificação de imprópria.Por esse motivo, muitas praias continuarão impróprias até março. No Guarujá, das 11 praias, só Pitangueiras está própria para banho, na região da Avenida Puglisi sentido Morro do Maluf - na área da praia perto da Rua Sílvia Valadão, as amostras indicaram água de má qualidade.A reportagem do Estado apurou que prefeitos pressionam a Cetesb para mudar o método de avaliação das praias. Santos, por exemplo, tem convênio próprio com a companhia para que as medições sejam mais freqüentes.A bióloga Débora não confirma a pressão, mas diz que pessoas ligadas ao setor acreditam que, com medições mais freqüentes, as praias seriam reabilitadas mais rapidamente."O que não é bem verdade."Segundo o engenheiro do Departamento de Meio Ambiente de Praia Grande, Carlos Vicente Mensingem, as enchentes nas cidades da região fizeram com que praias nunca consideradas impróprias surgissem como foco de contaminação. "Peruíbe ficou alagada", conta.Para tentar combater as ligações clandestinas de esgoto, algumas prefeituras fazem parcerias com a Sabesp. O programa Caça-Esgoto é feito em Praia Grande e São Vicente com a utilização de corantes para detectar poluição. Segundo a prefeitura de Santos, a abertura das comportas dos canais foi a principal responsável pela má qualidade das praias.

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