Por dia, 15 vão de táxi para o hospital

Sindicato reclama de falta de sistema de ventilação na Linha 1; trens reformados vão ganhar ar-condicionado

Luísa Alcalde e Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2008 | 00h00

Na sexta-feira, Letícia Navarro Santos, de 19 anos, usuária do Metrô, sofreu um mal súbito na Estação Sé, região central, e precisou ser encaminhada ao pronto-socorro da Santa Casa, na Vila Buarque. Por volta das 15h50, foi levada da estação em uma cadeira de rodas por três seguranças e dois agentes de estação para o ponto de táxi que fica do lado direito da Praça da Sé. Foi embarcada quase desmaiada no banco de trás de um Corsa Classic.Ao lado do taxista seguiu um funcionário do Metrô. Dez minutos depois, o automóvel, que teve de parar em todos os semáforos pelo caminho e aguardar o moroso trânsito da capital, estacionava no pronto-socorro. Letícia, que aparentava estar desmaiada, permanecia deitada e inerte dentro do carro. Só depois de dez minutos foi colocada novamente em uma cadeira de rodas e finalmente encaminhada para ser atendida pelos médicos de plantão.De 2003 a 2008, os casos de mal súbito cresceram nas estações. Há cinco anos, houve 16,5 ocorrências desse tipo por milhão de usuários; de janeiro a novembro deste ano, o índice subiu para 18,21. No início da década, cinco ambulâncias ficavam alocadas em pontos estratégicos das três linhas do sistema. "Perdíamos um tempo precioso nos deslocamentos entre as estações, por causa do trânsito da capital. Por isso, optamos pelos táxis. A chegada aos hospitais é mais rápida e eficaz", afirma o gerente de Operações do Metrô, Wilmar Fratini.Das 40 pessoas que passam mal no Metrô por dia, 20 se recusam a ser encaminhadas a hospitais (nesses casos precisam assinar um termo de recusa), 5 são levadas a prontos-socorros pelas viaturas da segurança e 15 seguem nos táxis, segundo dados da própria companhia. CALORO diretor de Comunicação do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Benê Barbosa, de 46 anos, acredita que o calor que faz dentro dos vagões cheios colabora para que os passageiros passem mal ou tenham mal súbito durante as viagens. Trata-se de um dos metrôs mais lotados do mundo, com cerca de dez passageiros por metro quadrado nos horários de rush.Segundo Barbosa, a Linha 1-Azul, que vai do Jabaquara, na zona sul, até o Tucuruvi, na zona norte, é a mais quente do sistema porque não tem sistema de ventilação como as demais. Essa situação já levou o sindicato a organizar um ato público e a fazer uma abaixo-assinado no ano passado para cobrar providências da companhia. "Na época prometeram fazer um empréstimo com o BNDES para instalar o sistema de ventilação, mas até agora nada aconteceu", afirma Barbosa.De acordo com Wilmar Fratini, a instalação de ventilação na linha ocorrerá em breve. "Já encerramos a fase de projeto neste semestre", afirma. Segundo ele, os 98 trens que estão sendo reformados vão passar a rodar com ar-condicionado. "É que, há 30 anos, quando o metrô surgiu, não tínhamos essa tecnologia disponível", explica.

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