Bruno Kelly/Reuters
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Manaus consegue oxigênio para manter bebês nas UTIs por mais 48 horas

Por falta de oxigênio no Amazonas, 61 prematuros recém-nascidos em maternidades públicas podem ser transferidos para hospitais de outros Estados

Priscila Mengue e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2021 | 14h55
Atualizado 20 de janeiro de 2021 | 15h21

SÃO PAULO E BRASÍLIA - O Ministério da Saúde afirma ter conseguido oxigênio para que 61 bebês prematuros em maternidades públicas fiquem por mais 48h em UTIs de Manaus. Por falta de oxigênio no Amazonas em função da crise na saúde pública com a alta de casos de covid, a secretaria estadual de saúde se prepara para transferir os recém-nascidos a hospitais de outros Estados. 

Integrante do governo federal que acompanha a discussão afirma que a melhor solução é conseguir oxigênio para manter as crianças em Manaus, uma vez que há muitos riscos envolvendo a transferência . O ministério disse, em nota, que "já articulou com Estados e municípios a disponibilidade inicial de 56 leitos de UTI que poderão receber os recém-nascidos, caso seja necessário: 25 em Curitiba (PR), 11 em Vitória (ES), 9 em Imperatriz (MA), 4 em Salvador (BA), 3 Feira de Santana (BA), 1 em Ariquemes (RO) e 3 no município de Macapá (AM)."

Mais cedo, o governo do Amazonas afirmou que técnicos da Secretaria de Saúde já trabalhavam "no planejamento da logística de transferência e o quantitativo está sendo avaliado de acordo com as condições clínicas dos recém-nascidos”. Eles seriam transportados com as mães. 

O Amazonas vive uma crise sanitária ainda pior do que a que foi registrada no auge da pandemia da covid-19 em 2020. O número diário de novas internações é o mais alto já registrado, tendo duplicado nas últimas duas semanas. Manaus concentra a maior parte das hospitalizações no Estado.

Comoção com os bebês

Governadores de outros Estados se colocaram à disposição. No Paraná, o governo de Ratinho Júnior (PSD) se dispôs à prestar assistência em saúde para 25 bebês, que poderão ser atendidos em leitos de UTI dos hospitais Infantil Waldemar Monastier e do Rocio, ambos em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba. "O pedido de ajuda foi feito pelo Ministério da Saúde para a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná na manhã desta sexta-feira para leitos de UTI neonatal", informou. 

Ao ser informado da situação, durante coletiva de imprensa, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que o governo procurará o Amazonas e se disponibiliza a receber todos os recém-nascidos. “Nós acolheremos todos os bebês que puderem ser transportados aqui, a São Paulo", afirmou.

Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) publicou nas redes sociais que o Estado disponibilizará leitos de UTI pediátricos para atender crianças do Amazonas caso seja necessário. "Equipes de saúde estão operacionalizando o transporte das crianças para Minas. Nós, mineiros, que já fomos muito ajudados em momentos de dor, estamos solidários", completou.

Transferências de pacientes

Nesta sexta-feira, pacientes do Amazonas com o novo coronavírus começaram a ser transferidos para hospitais de outras oito capitais. Segundo o Ministério da Saúde, estão garantidos ao menos 149 leitos adultos em São Luís, Teresina, João Pessoa, Natal, Goiânia, Fortaleza, Recife e Distrito Federal.

O boletim epidemiológico de quinta-feira, 15, divulgado pelo governo estadual, aponta que a ocupação na UTI para covid-19 é de 93,9% na rede pública da capital amazonense e de 86,73% na rede privada da cidade, o que representa uma média geral de 90,4%. A situação também se repete em leitos de enfermaria, que estão com uma ocupação média de 103,46% na rede pública de Manaus (ou seja, acima da capacidade do sistema) e de 80,9% na particular, com média de 93,1%. 

Na quinta-feira, o Amazonas teve 258 novas internações por covid-19, número que é 53% maior do que o pico do novo coronavírus em 2020, quando foram registradas 168 novas hospitalizações em um único dia de maio. Como a atual crise sanitária se concentra principalmente na capital, o recorde é ainda mais expressivo em Manaus, que teve 254 novas internações na quinta-feira, número que é 141% maior do que os picos de 105 hospitalizações de 2020, registrados em abril e maio.

A quinta-feira também teve recorde histórico no número de novos casos confirmados, com 3.816 em todo o Estado, enquanto o maior registro em um único dia de 2020 foi de 2.763, em maio. Apenas em Manaus, foram 2.516 testes positivos, enquanto, no auge de 2020, foram confirmados 1.723 novos casos, também em maio.

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