Por mais poder municipal

O ex-presidente Lula mantém a perspectiva de uma atuação internacional, preferencialmente em países africanos, mas vai arregaçar as mangas desde já para trabalhar também pelo PT com vistas às eleições municipais. Com cerca de 500 prefeitos, o partido quer iniciar em 2012 um processo gradual de crescimento que o leve em médio prazo a ocupar duas mil prefeituras.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

Ultrapassaria assim o seu rival na aliança governista, o PMDB, com cerca de 1,2 mil, reduzindo a principal vantagem que o separa deste: a capilaridade. Terá no ex-presidente um cabo eleitoral de peso para a missão.

O partido é mais homogêneo que o PMDB e trabalha dentro de uma estratégia definida, que parte de um zoneamento do mapa brasileiro, selecionando os municípios mais estratégicos, com poder de irradiação regional. São aqueles que influem nas cidades em seu entorno, seja por terem o principal polo de televisão, seja pelo poder econômico.

Para ficar num exemplo de município-mãe, Araçatuba, governada pelo partido, com quase 200 mil habitantes, é importante polo pecuário e do agronegócio, tem retransmissoras das redes Globo e Record e estende sua influência por cerca de 40 municípios paulistas.

A presidência de honra do PT, que recebe no próximo dia 10, será como uma procuração do partido ao ex-presidente, com plenos poderes para ser o articulador não só com vistas a 2012, mas também para elaborar uma proposta de reforma política que favoreça o objetivo.

Sem bala...

A insistência do deputado Sandro Mabel (PR-GO) em manter-se candidato avulso à presidência da Câmara deve-se a motivos menos nobres do que ele propaga, como o "debate sobre o Parlamento". Mabel tenta garantir a relatoria da reforma tributária, que exerceu na legislatura passada - e deve ser repassada a outro -, bem como emplacar um aliado numa diretoria do Dnit, ligado ao Ministério dos Transportes, feudo do PR.

...na agulha

Mas, sem o apoio do PR e com a desistência do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), ruíram os planos de Mabel - que, além de tudo, perderá o cargo de líder da bancada. Um petista ligado à cúpula e à coordenação da campanha de Marco Maia (PT-RS), avalia que Mabel contava com a candidatura de Aldo para barganhar com o governo, pois juntos ambos poderiam levar a disputa ao segundo turno. Sem Aldo, perdeu o poder de barganha. "Ele vai voltar para o baixo clero, de onde, na verdade, nunca saiu", diz a liderança governista, irritada com a candidatura de ocasião.

Blocão

A possibilidade de um blocão formado por PDT, PSB e PC do B (que incluiria PR, PRB, PSC e PMN) está tirando o sono do líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Se vingar, o bloco governista terá 16 senadores, 2 a mais que o PT, com primazia na escolha das presidências das comissões. E liquidaria o plano petista de presidir as Comissões de Assuntos Econômicos e de Infraestrutura.

Homenagem

A presidente Dilma Rousseff pretende homenagear o ex-vice-presidente José Alencar com a Medalha 25 de Janeiro, na terça-feira, em São Paulo. Será sua segunda aparição pública desde a posse.

Desgaste

É grande o desgaste do ministro da Educação, Fernando Haddad, no governo.

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