"Por muito menos o Collor caiu", ataca Alckmin

"Por muito menos o Collor caiu." Com esta frase, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, iniciou os ataques ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista na Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro, na tarde deste sábado, 23. Ele percorreu ruas da favela por uma hora, cercado de crianças, sempre acompanhado do prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), e da candidata do PPS ao governo do Estado, Denise Frossard. O tucano colocou um boné que recebera de presente com a frase "100% Favela" na cabeça, montou na garupa de um mototáxi, assistiu às apresentações de alunos de oficinas de dança e teatro, entrou nas casas, conversou com moradores e fez uma promessa: se eleito, construirá uma escola técnica na região.Ao comentar o escândalo do dossiê contra tucanos, ele afirmou que a Polícia Federal precisa "mostrar a verdade". "É óbvio que estão procurando esconder a origem do dinheiro. A polícia não é do PT, é do governo brasileiro. O ministério não é do PT, é do governo brasileiro", declarou. "O PT quer impunidade. Foram pegos com a boca na botija e aí vêm com essa bobagem de achar que isso aí é golpe. Se há tolerância, essa tolerância foi do Lula."Alckmin disse que há uma "corrosão de credibilidade" em relação à declarações do presidente. "Não é possível uma pessoa que nunca sabe de nada, nunca vê nada. Acho que ninguém acredita mais." Para o candidato, até hoje não foi explicado de onde vieram os dólares que seriam usados para pagar o dossiê, como eles entraram no país de forma ilegal e quem é o dono desse dinheiro. "As pessoas que foram presas são bagrinhos. Nada foi explicado até agora."O tucano afirmou que um governo que tem corrupção tem que ser autoritário para esconder o corruptor. "Se há governo autoritário, é o governo Lula. O mensalão o que é, você subjugar o poder legislativo ao executivo. E a Ancinav, o controle sobre a imprensa."ReivindicaçõesAlckmin recebeu uma carta com reivindicações de moradores, a mesma entregue a Lula quando visitou a Cidade de Deus. Todos os candidatos foram convidados pela Central Única de Favelas (Cufa). O candidato interrompeu a primeira entrevista após um morador abordá-lo por três vezes com a mesma frase: "O que o senhor vai fazer pela Cidade de Deus." Respondeu que pretende voltar como presidente e encerrou a entrevista. Depois, declarou que a visita à favela foi "o momento de maior emoção da campanha, de maior esperança de que o Brasil vai mudar".A uma semana da eleição, Alckmin voltou a afirmar que "agora é que a campanha está esquentando". No fim da caminhada, ele comentou com os repórteres: "Tem dois ansiosos na vida, os políticos e os jornalistas. Só tire a sandália quando chegar à beira do Rio."Moradora da Cidade de Deus, Marina Roque, de 43 anos, que vive da venda de tapetes e dos R$ 50 que recebe do Bolsa Família federal, elogiou o governo Lula mas disse que ainda está indecisa, avaliando as propostas de Lula, Alckmin e "daquela (Heloísa) Helena". "O voto é secreto, não vou te dizer, não adianta." Para Marina, as sucessivas crises não devem tirar voto de Lula. "Ele fez uma roubalheirazinha, sim, mas acho que as coisas melhoraram. No mercado e o salário mínimo também. Vai ter roubo nesse e no outro, é sempre a mesma coisa. Só não posso é perder essa renda"

Agencia Estado,

23 de setembro de 2006 | 19h26

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