'Por que mudar (o título), se não vou ser candidato?'

ENTREVISTA

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2011 | 00h00

Aloysio Nunes Ferreira, senador (PSDB-SP)

Pressionado pelo PSDB para ser o candidato a prefeito em 2012, o senador Aloysio Nunes Ferreira diz estar decidido: não mudará o título eleitoral de São José do Rio Preto para a capital paulista até outubro, a tempo de disputar a eleição no ano que vem. Aloysio é categórico ao declarar que ficará no Senado nos próximos anos.

"Não considero que (ser candidato a prefeito) é um dever político mais imperativo que ser senador", afirmou em entrevista ao Estado. Questionado, então, se não mudará o título de leitor, declarou: "É óbvio (que não vou mudar). Por que vou mudar se não vou ser candidato?" Aloysio rechaça a tese de que, depois de José Serra, seria o único capaz de trazer o PSD para a aliança com o PSDB.

Por que o sr. não será candidato a prefeito em 2012?

Minha tarefa e o meu dever político é ser um bom senador. Acho o meu mandato muito importante. Fui eleito para ser um senador de oposição. Ser candidato a prefeito não é um dever mais imperioso que o esforço para ser um bom senador. Ser um bom senador é tão importante quanto ser um bom prefeito.

Então significa que o sr. não vai mudar o título.

É óbvio. Por que vou mudar, se não vou ser candidato?

Pode mudar de ideia.

Essa relação de pressupor a desimportância do mandato de senador me deixa muito acabrunhado. Eu realmente vejo um processo em andamento pelo PT muito perigoso. Voto em lista fechada, financiamento público, cooptação geral dos movimentos sociais, tudo amarrado com verba pública. Minha trincheira é lá. Minha campanha toda foi voltada para a importância de São Paulo ter um senador de oposição. Passado nem sequer um ano e já estou pleiteando um outro cargo? Como assim? Não é questão de comodismo. Acho que cumpro um papel político da maior importância. É uma tarefa árdua. Não é coisa fácil nem algo que possa ser subestimado.

A relação do sr. teria ficado estremecida com Serra em razão da insistência dele para que seja o candidato a prefeito.

Já disse isso e vou repetir: mais fácil um boi voar que minhas relações políticas com Serra se abalarem por essas questões.

O sr. e Serra seriam os únicos capazes de trazer o PSD?

Acho que outros nomes podem aglutinar também no primeiro ou no segundo turno. O Afif (vice-governador) e o Goldman (ex-governador), por exemplo. O candidato do PSDB tem que construir pontes para o segundo turno. É um erro considerar o PSD e o Kassab como inimigos. O nosso principal adversário é o PT. Se não tivermos unidade com o PSD no primeiro turno, teremos no segundo.

Mas e a tese de que é necessário um candidato forte.

E o (Fernando) Haddad por acaso é forte?

Ele tem um padrinho forte.

Quem for nosso candidato também terá um padrinho forte. Terá Serra, Alckmin, e eu. Não esqueçamos que Serra, Alckmin e eu ganhamos na capital. Do lado de lá, eles têm uma pessoa pouco conhecida, que vai passar pelo cadáver de várias outras para ter a indicação e com uma gestão pífia no Ministério da Educação.

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