Pôr Serra em segundo plano foi ''questão de sobrevivência''

A batalha de Aécio Neves para reeleger Antonio Anastasia seu sucessor foi tamanha que a campanha presidencial do tucano José Serra ficou em segundo plano. "Era uma questão de sobrevivência do projeto de Minas", costuma justificar o próprio Aécio em conversas reservadas, já com visual adequado à nova função de senador da República.

Cenário: Eduardo Kattah e Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2010 | 00h00

Enquanto rodava mais de 40 mil km em campanha, o líder mineiro foi assumindo os fios brancos, agora úteis para se ver livre do estereótipo de "menino do Rio". O prateado no cabelo é bem-vindo, no momento em que ele se prepara para assumir a condição de líder nacional do PSDB, com potencial para encarnar o projeto de poder da oposição em 2014, rumo ao Planalto.

Com o ar de político experiente que tem na biografia a presidência da Câmara, Aécio vai trocar um ambiente político dócil, no qual exerce influência no governo estadual, na prefeitura, na imprensa local e sobre a população que o trata como um "popstar", por um cenário de disputa. Pior: diante do mau desempenho de Serra, corre o risco de virar líder da minoria oposicionista quando, aos olhos dos adversários e dos próprios companheiros, tem perfil conciliador.

Mesmo com a cabeça no Senado, Aécio pode ser obrigado a entrar na guerra da caça aos votos dos mineiros mais uma vez. Se houver segundo turno na disputa presidencial, o tucanato paulista, que se queixa nos bastidores do "apoio formal" do mineiro, vai cobrar engajamento.

Os mais próximos de Aécio até reconhecem que ele "poderia ter feito mais" por Serra. Ao mesmo tempo, porém, dizem que, se nem os paulistas fecharam com o presidenciável tucano, essa conta não pode ser cobrada dos mineiros.

Desde o início da campanha, dirigentes nacionais do PSDB se dizem convictos de que quem vencer a eleição presidencial em Minas leva a faixa de presidente. Precisamente por isso a previsão inicial era de montar 30 a 40 comitês regionais da candidatura Serra. A pretensão inicial, no entanto, acabou reduzida a apenas um comitê nacional na frente da rodoviária de Belo Horizonte e outro conjunto com Anastasia, no comitê central da campanha mineira. Faltaram articulação e empenho do próprio Serra, e dinheiro. Um equívoco na avaliação do PSDB local.

Um dirigente mineiro argumenta que, se quisesse avançar no Estado, Serra teria de contar com uma estrutura própria de campanha independente da estadual. Foi assim que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi bem-sucedido em Minas. Serra, ao contrário, não contou nem com caminhão para campanha volante.

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