Por Serra, Jarbas deve disputar governo de Pernambuco

Senador não queria a missão, mas em encontro com o tucano, no dia 20, ouviu que sua candidatura era ''fundamental''

Angela Lacerda, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2010 | 00h00

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) deve anunciar sua candidatura ao governo de Pernambuco na quarta-feira. A decisão põe fim a especulações de que sua hesitação estaria atrapalhando a campanha do pré-candidato tucano à Presidência, José Serra.

Sem falar pelo ex-governador, que só oficializa o anúncio em entrevista ao lado dos outros partidos aliados - DEM, PPS e PMN -, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, reforçou: "Jarbas decidiu ajudar José Serra e está sinceramente empenhado nisso, de forma real e concreta".

Jarbas e aliados vão enfrentar o governador Eduardo Campos (PSB), que concorre à reeleição. O senador não queria ser candidato, mas no encontro que teve com Serra, no dia 20 de abril, ouviu que sua candidatura era "fundamental". Assentiu.

Ele será candidato com ou sem Sérgio Guerra na chapa majoritária. Guerra estaria sendo pressionado a disputar a reeleição como forma de segurar prefeitos tucanos que tendem a apoiar a reeleição de Eduardo Campos - pelo menos 5 dos 18 prefeitos já declararam apoio ao governador.

Sem Guerra, a oposição ficaria ainda mais fragilizada. O tucano tem duas opções: ou tenta a reeleição, numa condição adversa (os candidatos ao Senado mais bem cotados são Humberto Costa (PT) e Marco Maciel (DEM) - ou disputa com tranquilidade uma vaga na Câmara.

"Combinei com Jarbas que não tomaria nenhuma decisão que não fosse nossa, minha e dele", afirmou Guerra ontem. "Muitas questões precisam ser resolvidas e ambos estamos dispostos a encarar essas questões."

No dia 10 de abril, em Brasília, Jarbas cobrou uma decisão de Serra, que estava demorando muito para definir o quadro da eleição presidencial. A oposição ainda não sabia em torno de quem iria lutar, enquanto a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff ganhava espaço na mídia, popularidade e pontos nas pesquisas de opinião, apresentada pelo presidente Lula como sua preferida para dar continuidade ao seu governo.

Na sua vez de decidir, Jarbas repetiu o comportamento que criticou. Demorou e ainda não oficializou sua candidatura. A interpretação de que a demora prejudica a campanha de Serra não encontra eco nos partidos aliados. "Não tem atraso, não tem imobilismo", assegura o presidente estadual do PSDB, Evandro Avelar, para quem o processo político ocorre dentro dos prazos normais. Ele lembrou que o PSB resolveu nesta semana o destino do deputado Ciro Gomes.

Para ele, o tempo de Jarbas não atrapalha nem a política estadual nem a nacional. Há até quem defenda a demora em situações como esta, em que o candidato (caso de Jarbas) já é bastante conhecido e não tem tantos recursos para a campanha.

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