Porteiro foi cúmplice de seqüestro de meninas

A contratação de um porteiro do seu prédio para que ele pintasse um dos apartamentos do edifício foi o ponto de partida para uma quadrilha seqüestrar as três filhas de 4, 8 e de 10 anos do dono do imóvel, um executivo de uma agência de notícias.Achando que o pai era rico, o porteiro Márcio Brecht Fernandes, de 29 anos, contou tudo a um amigo de infância, Márcio Douglas da Silva Batista, de 24, o Diga, que integrava um grupo de seqüestradores.O sobrenome do dono do apartamento era igual ao de um grande empresário, o que os levou a pensar que se tratava da mesma família. Policiais da 2ª Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) descobriram tudo após prender Fernandes e Diga.O porteiro foi detido no dia 21 - o resgate havia sido pago no dia anterior, quando as meninas foram libertadas pelo bando. Ele foi detido na portaria do prédio, no Morumbi, na zona sul, onde trabalhava havia seis meses. Fernandes ia receber R$ 1.500,00 por ter dado as informações sobre as vítimas.Segundo o delegado Edson Santi, titular da 2ª Delegacia, o seqüestro deveria ter ocorrido em novembro, mas como a quadrilha não havia achado um cativeiro resolveu adiá-lo.Após a volta às aulas, o grupo entrou novamente em movimento. Porém, o líder do bando, Gilmar dos Santos Neves, o Mancha, foi preso, acusado de participar de outros seqüestros. Ele tinha relações com o grupo que seqüestrou e matou o prefeito de Santo André, Celso Daniel.A quadrilha passou a ser liderada por Diga, que achou um cativeiro na zona sul. Para o seqüestro, o bando roubou os dois carros usados para fechar o Passat em que estavam as meninas. Foi Diga quem assumiu a direção do Passat e manteve como reféns a babá e o motorista por uma hora.Os seqüestradores exigiram R$ 4 milhões de resgate, mas aceitaram R$ 48,5 mil ao descobrir que o pai não era parente do empresário famoso.Às 6 horas de sábado, os policiais foram à casa de Diga, em Peruíbe, litoral sul de São Paulo. Com ele foram achados R$ 8,5 mil, sua parte no resgate.Além dele e do porteiro, a polícia identificou os irmãos Weber, de 22 anos, e Welington Bernardes, de 28, e Edson Vieira dos Santos, de 33, o Polenta, todos integrantes do bando. Outros três homens também participaram do crime. "Vamos prendê-los", disse o diretor do Deic, Godofredo Bittencourt Filho.

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