Portela desfila empolgada, mesmo sob chuva

A Portela fechou o carnaval do Rio mais uma vez, empolgadíssima, apesar da forte chuva que caiu durante os 80 minutos de sua passagem. O enredo "Brasil, Marca sua Cara e Mostra para o Mundo" mostrava como se formaram a nação e a cultura brasileiras, desde a pré-história e suas alas eram o retrato dessa mistura. Havia desde a louríssima socialite Kitty Monte Alto à beleza negra de Áurea, filha de Manacéa ("Quantas Lágrimas") e pastora da Velha Guarda. Para evitar o vexame do ano passado, quando os baluartes foram barrados no desfile, a Velha Guarda veio no carro abre-alas, mas escondida atrás de uma águia imóvel e de uma moça bela, semi-nua e desconhecida. O público quase não viu (e aplaudiu) Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Monarco, Walter Alfaiate e Surica. O maestro americano Quincy Jones também passou despercebido. Ele veio na bateria até o setor 1 e depois subiu no carro Poder Negro. ?Qualquer lugar para mim é ótimo, porque adoro carnaval?, disse o produtor de Michael Jackson e Steve Wonder, que já desfilou outra vez, há 15 carnavais. Paulinho da Viola chegou cedo na concentração e disse que gostava de sair com a alvorada (como no seu samba "Foi um Rio que Passou na minha Vida") e arriscou palpite. ?Tudo depende da comundade. Se todo mundo vier cantando, dá certo?, ensinou. E a escola veio com tudo, talvez para compensar a chuva. Encontrou as arquibancadas pela metade, mas ninguém arredou o pé, mesmo ensopado. Pena que os carros alegóricos não correspondessem, em beleza, com essa empolgação. De toda forma, a Portela pode estar entre as seis escolas que voltam no sábado que vem, no Desfile das Campeãs, resultado a ser conhecido na tarde de amanhã.

Agencia Estado,

28 Fevereiro 2006 | 10h25

Mais conteúdo sobre:
carnaval carnaval 2006

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.