Portela, Salgueiro e Beija-flor são as preferidas do público

Portela, Salgueiro e Beija-Flor foram as escolas que mais empolgaram o público presente na Marquês de Sapucaí no segundo e último dia de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. A animação das arquibancadas, porém, pode não se confirmar na apuração das notas dos juízes, na tarde da próxima quarta-feira, pois Portela e Beija-flor tiveram problemas com a evolução. A azul e branca de Madureira, embora tenha chegado à dispersão ovacionada, aos gritos de "é campeã", correu nos 20 minutos finais da apresentação. A agremiação de Nilópolis também encerrou o percurso com pressa para não estourar o tempo regulamentar de 80 minutos. A escola chegou à dispersão 2 minutos antes do tempo determinado pela Liga das Escolas de Samba do Rio. Já o Salgueiro fez um desfile tecnicamente perfeito. Depois que o último carro da vermelho e branco deixou a avenida, todos os presentes ficaram com uma certeza: o samba-enredo "Candaces", uma homenagem as antigas rainhas africanas que inspiram mulheres até hoje, será tocado novamente no desfile das campeãs do próximo sábado. No primeiro dia de desfile, a Estação Primeira de Mangueira e a Unidos do Viradouro foram as escolas que mais se destacaram na Sapucaí, levantando o público. Segundo dia de desfile A maratona de samba, que começou na noite de segunda-feira, foi quase temática. Três das sete escolas cantaram a África. A Porto da Pedra apresentou um emocionante desfile sobre o apartheid. A Acadêmicos do Salgueiro homenageou as rainhas do continente. Por fim, a Beija-flor cantou o Samba-enredo "Áfricas: do berço real à corte brasiliana". Porto da Pedra Primeira a desfilar, a escola de São Gonçalo surpreendeu. Tudo funcionou - desde o samba a inovações como a ala das baianas duas vezes maior do que o normal, com 250 componentes. Apesar de não ter conseguido patrocínio da África do Sul, o que foi tentado dois meses antes do carnaval, a agremiação fez rico desfile. Todos os oito carros tiveram movimento. O contratempo ficou por conta da rainha de bateria Elaine Ribeiro e a madrinha, a modelo Ângela Bismarck. Ângela saudou sozinha os setores populares, enquanto Elaine, que desfila há 13 anos na Porto e tem o nome da escola tatuado nas costas, foi puxada de lado por um diretor. "Não me colocaram de escanteio. Eu estava sendo muito assediada pela tevê", minimizou Elaine. Durante a evolução da escola, o tapa-sexo de Ângela Bismarck, que desfilava apenas com o corpo pintado e (mal) coberto por cristais, se desfez. Em alguns momentos, ajudantes tiveram de cortar pedaços do acessório que se desmanchava e ficou preso entre as pernas. No recuo da bateria, Ângela substituiu o ineficaz tapa-sexo por um mini biquíni com laterais de silicone. "Na passarela, uma mulher prevenida vale por duas". Unidos da Tijuca A Unidos da Tijuca também fez uma apresentação contagiante, com o enredo sobre a fotografia. No carro que mostrava fotos turísticas, a platéia era rapidamente transportada do Egito ao México: a estrutura metálica de pirâmide tinha cobertura de placas removíveis, que eram tiradas por "escravos" egípcios. Era quando apareciam divindades astecas. Numa estrutura anexa, "turistas" fotografam tudo. A Azul-e-Amarela levantou as arquibancadas, com um samba alegre e fácil de guardar. Os versos "pára/o mundo pára/ o mundo pára pra fantasia" eram cantados em uníssono pelos quatro mil integrantes e também pela platéia. Registros de guerras também foram rememoradas, como a imagem do momento em que soldados americanos cravaram a bandeira de seu país no topo do Monte Suribachi, imortalizada como símbolo da vitória norte-americana em território japonês na Segunda Guerra Mundial. Salgueiro Com um samba melodioso, fantasias luxuosas e bem acabadas e carros alegóricos de extremo bom gosto, a Acadêmicos do Salgueiro entrou na Sapucaí para se credenciar como um dos favoritos ao título de 2007. Depois da pior colocação da história da escola em 2006, 11º lugar, o Salgueiro fez um desfile tecnicamente perfeito e empolgou o público. O carro abre-alas era um dos mais bonitos e empolgou a platéia, com a imagem gigantesca da rainha de Sabá. A escola cantou a dinastia de rainhas africanas Candace e abusou de imagens alusivas ao continente. O Salgueiro esse ano fez desfile mais técnico e mais enxuto do que nos carnavais passados. Foram apenas sete carros, um a menos do que o limite. A escola também evitou desfilar com o máximo de componentes - 4.500. Levou para a avenida 4 mil. Mas empolgou e chegou a ser saudada pelos setores populares aos gritos de campeã. O presidente da agremiação, Duran, evitou o "já ganhou". "Outras escolas ainda vão se apresentar e não podemos subestimá-las. Mas com certeza fizemos um desfile para disputar título", afirmou. Portela Escola com o maior número de campeonatos, 21 ao todo, a Portela levou para a Sapucaí dezenas de convidados que também estão acostumados com o sabor da vitória: atletas brasileiros que já garantiram inúmeras medalhas para o País, e ajudaram a compor o enredo da agremiação, sobre os Jogos Pan-Americanos de 2007. Os ginastas Daniele e Diego Hypolito e Daiane dos Santos, os jogadores de vôlei Jaqueline Silva e Giovanni, e o velocista Robson Caetano passaram pela Avenida. A escola também trouxe inovações na bateria: o mestre Nilo Sérgio se rendeu às paradinhas, e introduziu um instrumento novo, a lira. Mas, embora tenha chegado à dispersão ovacionada, aos gritos de "é campeã", a empolgação das arquibancadas pode não se repetir entre os jurados, já que componentes precisaram correr nos 20 minutos finais da apresentação, para não estourar o tempo. Imperatriz Leopoldinense Quinta escola a passar pela Sapucaí, a Imperatriz Leopoldinense fez mais um de seus desfiles caprichados, porém sem empolgar o público. O enredo era ?Teresinhaaa, uhuhuuuu!! Vocês querem bacalhau??, teve como ponto de partida Chacrinha e terminou nos mares da Noruega. A carnavalesca Rosa Magalhães, que viajou à Noruega no ano passado para buscar inspiração, não se mostrou tão criativa como em carnavais anteriores. Exibiu, uma ala após a outra, o bacalhau em suas mais diferentes apresentações. Tinha bacalhau em alto mar, no fundo do mar, no prato. Ao fim, ficou a sensação de que, mais uma vez, a Imperatriz fez um desfile correto - e só. Grande Rio Vice-campeã em 2006, a Grande Rio não empolgou ao levar para a Sapucaí um enredo caseiro: uma homenagem à cidade de Caxias, na Baixada Fluminense, onde fica a sede da agremiação. A escola apresentou alegorias didáticas, mas de pouca criatividade. Um dos destaques da Grande Rio foi o ator José Wilker. Ele desfilou como Tenório Cavalcanti, um justiceiro da região que inspirou o cineasta Sérgio Rezende a filmar O Homem da Capa Preta. A Grande Rio, como sempre, trouxe para o desfile vários globais, entre os quais a apresentadora Ana Maria Braga. Ninguém, porém, chamou mais a atenção na Grande Rio que a ex-Big Brother Grazielli Massafera, a rainha de bateria. A escola inovou ao monitorar o desfile com recursos tecnológicos: contou com o apoio de um laptop, comandado pelo técnico em informática Roger Monserrat, além de três câmeras espalhadas pela avenida. As imagens seguiam para um centro de triagem e, via Internet, chegavam ao monitor. A Grande Rio montou um estúdio na avenida para desenvolver esse trabalho. Beija-Flor Última escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, a Beija-flor foi brindada com gritos de ?é campeã? pelo público nas arquibancadas populares. Com o enredo "Áfricas: do berço real à corte brasiliana", a escola teve que correr no final da apresentação para não perder pontos por estourar o tempo limite de apresentação, de 80 minutos. O azul e o branco, cores oficiais da agremiação, predominaram as fantasias, além dos detalhes em dourado. Mesmo com o maior número de alas de todas as escolas que passaram pela Sapucaí, a bateria entrou para o recuo aos 40 minutos de desfile - mesmo tempo das outras.

Agencia Estado,

20 Fevereiro 2007 | 07h46

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