WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Portela se recusa a dividir título e diz que vai recorrer

Para presidente da agremiação houve uma 'virada de mesa'; a escola amargava 33 anos de jejum e desde 1970 não ganhava um campeonato sozinha

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2017 | 21h56

RIO - A Portela não aceita dividir o campeonato do carnaval de 2017 com a Mocidade Independente de Padre Miguel. A escola de Madureira informou que vai recorrer da decisão da plenária da Liga das Escolas de Samba que declarou, na noite de quarta-feira, 5, que a Mocidade também ficaria com o primeiro lugar. O presidente da Portela, Luís Carlos Magalhães, diz que houve uma "virada de mesa". A Portela amargava 33 anos de jejum e desde 1970 não ganhava um campeonato sozinha. Já a Mocidade não era campeã havia 21 anos.

A verde e branca apresentou recurso à Liesa depois que um jurado retirou um décimo da escola, porque a Mocidade não apresentou um destaque de chão no desfile. No entanto, o jurado se baseou em uma versão antiga do livro Abre-alas. Na segunda versão, não entregue ao julgador, o destaque já não estava mais previsto. Em plenária da Liga das Escolas de Samba, na noite de quarta-feira, 5, a maioria votou para que a Mocidade dividisse o título com a Portela - foram 7 votos a favor, cinco abstenções; a Portela foi o único voto contra.


 

A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu mão da parte do prêmio em dinheiro a que teria direito pelo primeiro lugar conquistado no carnaval 2017. A divisão do valor foi uma das questões levantadas pela Portela, declarada campeã em março, durante a reunião. O valor do prêmio, não divulgado oficialmente, é de cerca de R$ 1 milhão. 

O vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco, reconhece que o fato de a escola não pleitear a divisão do prêmio "simplificou" as discussões.

"Se envolvesse a parte financeira seria mais difícil, teriam de avaliar de onde retirar o recurso, já que a Portela já gastou o prêmio. Mas o nosso fator primordial era o reconhecimento da qualidade do nosso trabalho", afirmou. "Foi um erro material. Não questionamos a avaliação de jurado algum no aspecto técnico ou subjetivo. Ele elogiou o desfile e só tirou um décimo por causa da falta desse destaque, mas julgou com um livro desatualizado. Nunca tinha acontecido caso de erro material como ocorreu dessa vez", afirmou.


 

A Portela informou que vai recorrer da decisão. "Foi uma virada de mesa", afirmou o presidente da Portela Luís Carlos Magalhães. "O parecer elaborado pelo consultor jurídico Sylvio Capanema de Souza e pelo diretor jurídico da Liesa, Nelson de Almeida, em resposta ao recurso impetrado pela Mocidade Independente, foi favorável à Portela, ou seja, contra a divisão do título". 

"No entanto, o plenário decidiu desconsiderar o parecer, adotando uma votação entre presidentes que não é prevista pelo regulamento do Carnaval 2017 e nem pelo estatuto da Liesa. Por isso, o que houve verdadeiramente na noite da última quarta-feira foi uma grande 'virada de mesa' dupla, pois o regulamento e o estatuto foram rasgados", informou a agremiação, em nota. A escola vai recorrer à própria Liesa e ainda não definiu se vai à Justiça para decidir a questão.

"Em momento algum cogitamos brigar pelo título só para a Mocidade. Se eles forem à Justiça, correm até mesmo o risco do não reconhecimento do primeiro lugar. Porque pelo critério de desempate, nossa nota fica maior que a deles", afirmou Pacheco.

A última vez que a Portela ganhou sozinha o carnaval foi em 1970, com o enredo "Lendas e Mistérios da Amazônia". Em 1980, três escolas foram declaradas campeãs: Portela, Beija Flor e Imperatriz. Em 1984, a escola de Madureira dividiu o título com a Mangueira.

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