Portela traz esportistas em desfile sobre o Pan 2007

Escola com o maior número de campeonatos, 21 ao todo, a Portela levou para a Sapucaí dezenas de convidados que também estão acostumados com o sabor da vitória: atletas brasileiros que já garantiram inúmeras medalhas para o País, e ajudaram a compor o enredo da agremiação, sobre os Jogos Pan-Americanos de 2007. Embora tenha chegado à dispersão ovacionada, aos gritos de ?é campeã?, a empolgação das arquibancadas pode não se repetir entre os jurados, já que componentes precisaram correr nos 20 minutos finais da apresentação, para não estourar o tempo. Apesar de não ter abandonado a tradição característica, a escola veio com inovações. Todas elas na bateria. Os ritmistas foram poupados das roupas pesadas, que tanto atrapalham os movimentos, e desfilaram de terno, numa referência à vestimenta típica das delegações esportivas. O mestre Nilo Sérgio se rendeu às paradinhas, e introduziu um instrumento novo, a lira, que, segundo ele, foi usado pela última vez pela escola em 1980, ano do último campeonato. ?A Portela é uma escola muito tradicional. Mas precisamos casar isso com inovações. Por isso, vamos fazer duas paradinhas durante o desfile?, contou ele, pouco antes de entrar na avenida. O desfile foi aberto pela diretoria da escola, que, no chão, saudava o público, junto com outras personalidades, como a ex-jogadora de vôlei Jaqueline Silva e o ex-velocista Robson Caetano, o compositor Zeca Pagodinho e o ministro do Esporte, Orlando Silva, que disse ser portelense e mostrou ter o samba na ponta da língua. Cantou do início ao fim. O ministro contou que a escolha dos Jogos Pan-Americanos como tema da Portela foi uma feliz coincidência. ?Tenho grande admiração pela tradição da escola. Comecei a me interessar pela Portela por causa da história do Paulo da Portela (fundador da escola), que foi um grande sambista e com quem eu tinha uma grande afinidade: eu sou comunista, e ele também era?, afirmou o ministro, cuja pasta contribuiu com quase R$ 2 milhões para o carnaval da azul e branco. A tradicional águia azul e branco foi precedida da comissão de frente, composta por 15 integrantes. Eles contaram a história do esporte nos seus primórdios, apresentando as cinco modalidades inicialmente praticadas na Grécia Antiga. Uma das componentes era a primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Cecília Kerche, que ficava escondida em uma das cinco colunas gregas que compunham a comissão. Ela aparecia apenas na frente dos jurados. Dos oito carros alegóricos que a Portela levou para a avenida, dois foram particularmente aplaudidos: o dos irmãos Diego e Daniele Hypolito, que faziam piruetas, para delírio das arquibancadas; e o da também ginasta Daiane dos Santos. Este último trazia outros atletas, como o jogador de vôlei Giovani, e medalhas que giravam, mostrando, no verso, fotos de Pelé, Oscar Schmidt, Guga, entre outros. Seguindo o enredo ?Os deuses do Olimpo na terra do carnaval: uma festa dos esportes, da saúde da beleza?, fez várias referências aos aros olímpicos, e usou, por diversas vezes, a bola. Ela veio, por exemplo, na fantasia da ala das crianças, e na saia da segunda porta-bandeira. Mas havia fantasias que pareciam destoar, como a que usava sombrinhas, e outra que trazia como enfeite de cabeça um pote de massa. Ao fim do desfile, portelenses que já vivenciaram muitos campeonatos foram unânimes em afirmar que a escola apresentou um desfile muito vibrante. ?Foi perfeito. Se não levarmos o primeiro lugar, merecemos, pelo menos, ficar entre as seis melhores?, disse o compositor Walter Alfaiate. Há mais de 40 anos saindo na azul e branco, Paulinho da Viola, que saiu no último carro alegórico junto com Alfaiate e outros integrantes da Velha Guarda, disse ter ficado muito emocionado. ?Gostei muito do desfile. Achei que foi tudo vibração e harmonia?, contou ele, que, além de torcer pela vitória da escola, desejou também ver a reconciliação entre a cantora Beth Carvalho e a Mangueira. No desfile de domingo, a compositora foi expulsa de um dos carros alegóricos da agremiação verde-rosa e não desfilou.

Agencia Estado,

20 Fevereiro 2007 | 03h05

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