Portella diz que não foi informado sobre riscos no Metrô

O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, negou nesta segunda-feira, 15, ter sido informado a respeito dos riscos de desmoronamentos, nas obras da linha amarela do Metrô de São Paulo, na quinta-feira (11), um dia antes do acidente ter ocorrido. "Eu não fui informado", afirmou, após vistoriar o local onde o acidente ocorreu. "Esse acompanhamento das obras é feito pelas construtoras, pelo Metrô e tem duas outras empresas que fazem isso. Essa é uma obra do Bird, que faz uma auditoria independente. Então, não é obrigatório que eles tenham me passado (essa informação). Inclusive quem acompanha isso é o presidente do Metrô. O que eu posso dizer é que não fui informado antes e com certeza fui informado sobre os riscos somente no sábado. Se alguém errou, o laudo vai dizer", explicou.Ao ser questionado sobre se a fiscalização não teria sido bem feita e se havia falta de informações, o secretário respondeu: "Não fui (informado), mas isso não quer dizer que (a fiscalização) não tenha sido (bem feita). O laudo é que vai mostrar ( o que ocorreu)", afirmou. "Eu não fui informado e agora o laudo vai dizer se eles deveriam ter informado antes (sobre os riscos de desmoronamento) ou não deveriam. É o laudo do IPT que vai resolver isso", acrescentou.Em seguida, ao ser questionado se concordava com a declaração do vice-governador do Estado, Alberto Goldman, que disse acreditar que a causa do acidente teria sido uma falha de engenharia, Portella destacou que preferia esperar o laudo para emitir qualquer opinião sobre o caso. "Não podemos culpar as pessoas por hipótese. Temos que esperar um documento. Se um documento de um órgão independente disser que há culpa, então há culpa. Antes, não devemos fazer. Esse é um momento difícil e temos que ter calma. Estamos consternados."No sábado, o gerente de Construção da Linha 4, Marco Antonio Bomcompagno, afirmou que recalques (leve deslizamento de terra) sempre acontecem em obras de engenharia. "Quando se está cavando um túnel, a terra sempre desce um pouco. Isso é normal em uma obra de engenharia", declarou em entrevista coletiva à imprensa. Segundo ele, conforme a velocidade dessa descida, "preocupa-se mais ou menos". E disse que na quinta-feira houve uma aceleração dessa descida. "Mas todas as providências foram feitas para corrigir um eventual problema em função dessa aceleração. Isso é normal. Muitas vezes ocorreu e nada aconteceu." Bomcompagno alegou, ainda, que na sexta-feira não houve tempo suficiente para corrigir o problema.

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