Porto Alegre

A internet divulga, mas as comandas continuam de papel

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

11 de abril de 2009 | 00h00

Aos 120 anos, o Bar Restaurante Gambrinus guarda histórias de Porto Alegre e, ao mesmo tempo, conquista clientes de muitos lugares do mundo graças à modernidade. "Os sites de busca nos ajudam", reconhece o administrador João Alberto Cruz de Melo, de 30 anos, depois de constatar que a presença de forasteiros se multiplicou nos últimos anos. Os computadores, no entanto, não entraram no Gambrinus. As comandas para a cozinha e as contas para os clientes são exibidas no papel, anotadas com caneta. ''É para manter o ambiente tradicional'', justifica.O Gambrinus tem dois ambientes e pode acolher 120 pessoas ao mesmo tempo. Um está no pátio interno do Mercado Público, cercado de floreiras. O outro, dentro do prédio, guarda resquícios da história. Numa das paredes, parte do reboco foi retirado para que os clientes possam observar o muro original, talvez erguido por escravos. Num canto, suspensa, está a cadeira na qual Francisco Alves, o rei da voz, sentava quando ia tomar a sopa da madrugada. A relíquia, na verdade, não é do Gambrinus, mas do Treviso, vizinho que fechou nos anos 80, e está exposta mais como lembrança do mercado do que do local. Além dela, há lustres e objetos do início do século 20 espalhados pelo salão.O restaurante não teve sempre as mesmas características. Da fundação até os anos 30, era um espaço do Mercado Público cedido pela Intendência Municipal para confraternização de imigrantes alemães que diziam se reunir sob as bênçãos de Gambrinus, o protetor dos cervejeiros. Foi quando o casal de sobrenome Muller, que preparava as comilanças para a confraria, passou a abrir as portas também para o público, dando início ao período comercial da casa. Alguns anos depois, o restaurante passou para uma família italiana e, em 1964, foi adquirido pelos portugueses Antônio Dias de Melo, filho, e João Melo, pai. Em pouco tempo, João, irmão de Antônio, também entrou na sociedade. Agora, a administração segue sob comando da família, estando atualmente nas mãos da terceira geração.

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