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Porto Alegre terá tarifa de ônibus reduzida, mas contabiliza destruição e 44 detenções

Prefeito José Fortunati anunciou que o executivo municipal vai remeter à Câmara um projeto isentando o transporte coletivo do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN)

Lucas Azevedo, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2013 | 12h45

PORTO ALEGRE - O dia seguinte à maior manifestação de rua realizada em Porto Alegre nos últimos 30 anos está sendo de celebração e contagem de prejuízos. Por um lado, a marcha que reuniu cerca de 12 mil pessoas pelas ruas da capital gaúcha na noite dessa segunda-feira garantiu uma vitória aos seus participantes: a tarifa dos ônibus municipais será reduzida. De outro, há marcas de vandalismo e barbárie em grande parte da região central.

Nesta manhã, o prefeito José Fortunati (PDT) anunciou que o executivo municipal vai remeter à câmara de vereadores um projeto isentando o transporte coletivo do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). A tarifa passará para R$ 2,80. Entretanto, o prefeito diz querer ir além e solicitar ao governador Tarso Genro (PT) que isente o óleo diesel do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), manobra que pode fazer com que a passagem caia para R$ 2,70.

Atualmente o preço está congelado em R$ 2,85 por uma liminar da Justiça, que, em abril, derrubou o aumento que chegou a R$ 3,05.

“A prefeitura está abrindo mão de 15 milhões anuais e sem orçamento. Alguém paga conta. Estamos abrindo mão de um tributo”, ressaltou Fortunati.

A conquista, porém, teve um custo alto para a cidade. Nesta manhã, Porto Alegre contabiliza a destruição iniciada por um pequeno grupo que participou da marcha na noite passada. Lojas foram saqueadas, bancos tiveram as vitrines quebradas e cerca de 50 contêineres de lixo foram depredados, muitos deles queimados. O pior ficou por conta de dois ônibus destruídos: um completamente queimado e outro seriamente danificado a pauladas e pedradas,ambos na avenida João Pessoa, uma das principais da cidade.

Conforme a polícia, 44 pessoas foram detidas, entre elas nove adolescentes.

Marcha - A manifestação teve origem em frente à prefeitura, às 18h, para, depois, a marcha seguir pelas avenidas Borges de Medeiros, Salgado Filho e João Pessoa. Além de muitos jovens, crianças – algumas de colo – e idosos participaram da caminhada, com intuito não só apenas de baixar o preço da passagem, mas protestar contra a corrupção e os gastos exacerbados com a Copa do Mundo. Das janelas dos prédios, moradores acenavam em apoio.

Porém, um número reduzido de participantes, em sua maioria com os rostos tapados, seguiu pelo trajeto pichando paredes, quebrando vitrines e derrubando contêineres de lixo. Cada ação dos baderneiros era repreendida pelo grosso da marcha que, inclusive, desvirava os depósitos de lixo espalhados pelas ruas.

O estopim do confronto ocorreu na esquina das avenidas Ipiranga e João Pessoa. Um pequeno grupo de jovens mascarados começou a pixar a vitrine de uma concessionária de motocicletas. Insatisfeitos, quebraram as grandes vitrines do estabelecimento e jogaram uma bomba caseira para dentro. Em seguida, um a um invadia o local para derrubar as motos e saquear equipamentos dos expositores, como capacetes.

Sem se intimidar pela horda, armada de pedras e pedaços de pau, um rapaz, integrante da marcha, se posicionou entre os vândalos e a loja, tentando impedir suas ações. Diante do olhar incrédulo de centenas de pessoas, os baderneiros foram, aos poucos, deixando o local. 

Ao mesmo tempo, a marcha mudou o rumo e seguiu pelas duas vias da Ipiranga – larga avenida com duas pistas de três faixas cada. A algumas dezenas de metros adiante, o Batalhão de Choque da Brigada Militar estava posicionado. Para conter a fúria de poucos manifestantes, que chegaram a jogar um rojão dentro de um posto de gasolina, os policiais começaram a atirar bombas de gás lacrimogênio. 

A partir daí começou o confronto,que se espalhou pela região central de Porto Alegre, indo parar, no fim da noite, com as últimas prisões em frente ao Palácio Piratini, sede do governo estadual, e à assembleia legislativa, onde um grupo tentou invadir o prédio. 

Destino - Na tarde desta terça-feira ocorrerá uma assembleia que decidirá o destino do movimento na cidade. Convocado pelas redes sociais, o encontro está marcado para às 18h, na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do Rio Grande do Sul, na rua Washington Luiz, 186.

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